Brasileiros recebem menos investimento em qualificação profissional

Pesquisa mostra que, em 10 anos, caiu de 0,39% para 0,33% a proporção em relação ao PIB de dinheiro voltado a esse fim

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SÃO PAULO – Formar profissionais capacitados para exercer determinadas funções – o que, na teoria, eleva o salário em relação ao daqueles sem especialização – perdeu representatividade dentro dos objetivos do governo. Pelo menos é isso o que mostra pesquisa do economista Márcio Pochmann, professor da Universidade de Campinas (Unicamp).

De acordo com o estudo, em 1995, a taxa de investimento do tipo representava 0,39% do Produto Interno Bruto (PIB), atingindo 6,1% da população economicamente ativa (PEA). Dez anos depois, em 2005, esses números caíram para 0,33% e 5,2%; respectivamente.

Investimento duvidoso

Pochmann explicou que o volume direcionado para a formação e qualificação profissional não é de todo ruim, equiparando-se, em relação ao PIB, com países como França e Bélgica. Contudo, em sua avaliação, a maneira como o dinheiro é investido é bastante “duvidosa”.

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O motivo é a fragmentação institucional, o que leva uma disputa entre programas voltados a esse fim dos ministérios do Trabalho e da Educação e do Sistema S (que engloba oito instituições que começam com a sigla, como é o caso do Senai e Senac).

Para se ter uma idéia, os valores destinados a esse setor foram de R$ 7,1 bilhões em 2005, dos quais R$ 5,9 bilhões corresponderam ao Sistema S.

Outra pesquisa

Vale lembrar que pesquisa divulgada recentemente pelo Instituto de Pesquisa em Economia Aplicada (Ipea) mostrou que o total de anos que o brasileiro passa estudando não exerce mais tanta influência sobre o quanto ele irá receber, quando estiver empregado.

Conforme o levantamento, em 1995, o impacto médio da escolaridade sobre a remuneração era de aproximadamente 14%. Essa proporção foi caindo em ritmo constante até 2001, ao atingir 13%. Depois disso, até 2004, a retração acelerou de ritmo e chegou a algo em torno de 12,2%.