Área financeira é promissora para mulheres; veja como ser bem-sucedida

"É preciso estar ligado no que acontece no Brasil e no mundo, ter uma visão global", diz coordenadora do Ibef Mulher

SÃO PAULO – A área financeira é a que mais emprega mulheres no mundo, com 60% dos profissionais, em média, do sexo feminino, revelou uma pesquisa realizada pelo Fórum Econômico Mundial. Mas como é a realidade das profissionais que atuam nesta área no Brasil?

Para começar, a percepção que se divide é de que as mulheres não são maioria nesta área no território verde-amarelo, principalmente quando se fala de CFOs (diretores-financeiros), embora nos últimos anos elas tenham conquistado mais posições de liderança.

“O que tenho visto é que existe um movimento forte das grandes empresas em ter uma equipe mais diversificada em cargos de liderança”, afirmou a vice-presidente da Oracle, Elisabete Waller.

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A coordenadora da área do Ibef (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças) para a mulher, Luciana Medeiros, disse que se encontra mais profissionais do sexo feminino na área financeira do que antes, inclusive em cargos de liderança, “porém, estamos longe de alcançar a paridade entre os sexos”.

Os desafios
Em termos técnicos, os desafios de homens e mulheres são os mesmos na área financeira, segundo as entrevistadas. Porém, por conta da cultura que se herdou no Brasil de que as mulheres devem cuidar da casa, o grande desafio que elas encontram diz respeito a saber equilibrar a vida pessoal e profissional.

“As pessoas têm uma vida que inclui o trabalho”, disse a presidente da Standard & Poor´s, Regina Nunes. “O que eu acho que às vezes é complicado é que essa área exige uma carga horária alta. Se não tiver um apoio em casa, pode não conseguir se destacar”, afirmou.

Regina disse que a área financeira ajuda bastante no equilíbrio da vida pessoal e profissional, pois, devido ao desenvolvimento da tecnologia, é possível trabalhar de casa, atento aos filhos e aos afazeres domésticos. “Um dentista não consegue atender ao paciente de casa. Um advogado precisa ir ao fórum e a audiências”, exemplificou.

A vice-presidente da Oracle relatou que passa pela experiência de ter um apoio em casa: “com relação à rotina de uma vida profissional e outra pessoal, vejo que hoje o mundo está mudando e o papel do homem na vida familiar mudou muito. A responsabilidade da família e filhos não é mais só da mulher. Existe uma divisão de tarefas em que, muitas vezes, o homem assume mais responsabilidades que a mulher. Este é, por exemplo, o meu caso. Meu marido tem uma rotina mais normal que a minha e, portanto, consegue se dedicar mais às crianças”, contou Elisabete.

Área promissora
Por conta da flexibilidade de horários, as entrevistadas acreditam que a área financeira é promissora, sim, no Brasil, ainda mais para as mulheres. “Essa é uma área que cresce a cada dia, principalmente com as novas exigências do mercado mundial e brasileiro, como, por exemplo, a nova legislação dos speds, a nota fiscal eletrônica e outras coisas mais que estão sendo implementadas dentro e fora do Brasil”, afirmou Elisabete.

De acordo com Luciana, do Ibef, esta é uma área crescente no Brasil, que busca profissionais formados em administração, economia, ciência contábeis, engenharia, estatística, matemática, para poder atuar dentro de empresas, em instituições financeiras, em auditorias e consultoria financeira. Já Regina acredita que a área é promissora no Brasil por ser referência mundial, ou ser muito sofisticada.

Bem-sucedida
Para ser bem-sucedida na área da finanças, confira as dicas dadas pelas entrevistadas:

  • Excelente formação acadêmica: “Um profissional altamente qualificado é sempre bem reconhecido, independentemente do sexo”, disse Elisabete, da Oracle.
  • Tem de estar atualizado com o mundo: “É preciso estar ligado no que acontece no Brasil e no mundo, ter uma visão global de economia e do mercado financeiro”, disse Luciana, do Ibef;
  • A mulher tem de ter dedicação, determinação e estar sempre em busca do equilíbrio. “A experiência é importante, mas esses pontos são muito mais”, disse Regina, da S&P.