Pública e privada

Aposentadoria no Brasil é mais “generosa” que em países desenvolvidos

Os beneficiados no País recebem 85,9% da sua antiga renda. O índice é superior a de países como Estados Unidos, Japão, Alemanha, entre outros

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SÃO PAULO – O nível de previdência no Brasil é mais “generoso” que o de países desenvolvidos, como Japão, Estados Unidos, Alemanha, Suíça e Coreia do Sul.

Os ganhos individuais dos beneficiados no País chegam a ser 85,9% da sua antiga renda, enquanto a média mundial é de 60,8%, de acordo com o Panorama de Previdência da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), apresentado pelo economista-chefe da Allianz Seguros, Michael Heise, durante o Fórum Internacional de Seguros para Jornalistas 2013.

A média dos ganhos, que inclui tanto funcionários públicos quanto os aposentados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), está bem acima dos países desenvolvidos. No Japão, por exemplo, a taxa de substituição de previdência das aposentadorias obrigatórias (públicas e privadas) por ganhos chega a 36,3%. Na Alemanha, ela sobe para 42% e, nos Estados Unidos, para 42,3%.

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Os países que mais se aproximam das taxas brasileiras também são emergentes. Na China, o aposentado mantém 82,5% de sua renda. Na Argentina, o índice é de 81,1%, como pode ser verificado abaixo:

Quanto o aposentado ganha do salário original (em %)
PaísesGanhos
*OCDE
Brasil85,9
China82,5
Argentina81,1
Índia72,4
Rússia65,1
Suécia58,4 
Coreia do Sul46,9 
EUA42,3 
Alemanha42,0 
Japão36,6 
OCDE (média)60,8

Aposentadoria em extinção
De acordo com Heise, em valores absolutos, as aposentadorias da maior parte da população brasileira não são altas, com uma distorção de altos pagamentos para uma parcela pequena dos beneficiários. Contudo, com o envelhecimento da população brasileira, o País deve se preparar para um ciclo mais longo de trabalho da população, com pensões mais baixas, que devem ser compensadas com outros mecanismos de poupança, como previdência privada.

Para o economista e pesquisador do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Marcelo Caetano, uma das soluções para o governo é criar uma nova estratégia de poupança interna. “Ampliar o nível de poupança, melhorar infraestrutura e fazer reformas na previdência são pontos que precisam necessariamente ser tratados”, comentou.

Já o brasileiro, lembra o diretor-executivo da Allianz Seguros, Ingo Dietz, precisa se preparar e repensar sobre a aposentadoria. Para começar, o executivo ressalta que poupar dinheiro não basta, também é necessário investi-lo em outras fontes de renda. “A tendência é que aumente cada vez mais a idade mínima para receber o benefício, que deverá ser distribuído em menor valor.”