AL: mais da metade dos jovens não têm instrução para um emprego bem pago

De acordo com estudo do BID, no Brasil, 79% dos jovens poderiam alcançar um emprego bem remunerado

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SÃO PAULO – Mais da metade dos jovens – pessoas entre 15 e 19 anos – da América Latina não têm instrução suficiente para conseguir um emprego bem pago na competitiva economia global, conforme revela estudo realizado pela Gallup e encomendado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

No Brasil, a taxa dos estudantes que poderiam alcançar um emprego bem remunerado é de 72%, atrás apenas do Peru (85%). No México, a taxa foi de 66%, enquanto no Uruguai ficou em 59% e, no Chile e na Argentina, 53%.

“A América Latina entrou em uma nova fase de desenvolvimento, na qual os governos precisam melhorar significantemente a qualidade da educação e de outros serviços públicos, para assegurar que os países sejam capazes de sobreviver em uma economia global competitiva”, disse o presidente do BID, Luis Alberto Moreno.

Insatisfação gera mudanças

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De acordo com o estudo, o quadro pode ser revertido caso a população passe a exigir políticas públicas mais eficazes. “A falta de demanda por uma educação melhor faz com que os governos fiquem menos motivados para produzir melhorias”, afirmou um dos pesquisadores do estudo, Juan Carlos Navarro.

Como exemplo desta medida positiva, o estudo apontou o Brasil e o Chile, países em que houve melhora do nível educacional, o que fez com que as pessoas prestassem mais atenção aos serviços que estavam sendo oferecidos.

Ambos os países, de maneiras distintas, investiram para tornar os resultados dos testes de avaliação nacionais disponíveis para o público, o que aumentou a conscientização da população e ajudou o governo a pressionar os legisladores a apoiarem reformas. “É preciso aumentar a conscientização da população sobre a importância de uma boa conscientização”, declarou Navarro.

Evolução insuficiente

Os dados do estudo revelaram que a educação tem desempenhado um papel pouco representativo nos últimos 30 anos para ajudar no mercado de trabalho, ao contrário do que acontece na Ásia. A maior parte do crescimento da região da América Latina foi atribuída a um aumento da força de trabalho, enquanto na Ásia ela é impulsionada pelo crescimento do capital humano e a produtividade.

“O maior número de anos de escolaridade de crianças latino-americanas não tem necessariamente se traduzido em crescimento da produtividade, prosperidade e melhoria do bem-estar”, afirmou Navarro.

Enfim, os resultados sugerem que os latino-americanos não estão colhendo os benefícios do aumento das matrículas de crianças no sistema educacional e do número crescente de anos que sua população permanece na escola.

Estudo

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Para realização da pesquisa, o Gallup entrevistou mais de 40 mil pessoas de 24 países da América Latina e Caribe entre novembro de 2005 e dezembro de 2007. A pesquisa é parte da série Desenvolvimento nas Américas, publicação do BID que tem como objetivo trazer novas perspectivas para questões de desenvolvimento na região.