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Sem alívio no custo de capital: o cenário mais conservador do Citi para 2024

Banco projeta inflação resiliente para o próximo ano, o que pode forçar o BC a interromper o ciclo de cortes em 10%

Rikardy Tooge

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Enquanto o mercado trabalha com perspectivas mais positivas para inflação e taxa de juros para 2024, o Citi adota uma postura mais conservadora e indica que o setor de serviços seguirá aquecido no próximo ano. Isso poderá forçar uma maior rigidez da política monetária imposta pelo Banco Central, mantendo a Selic em dois digito, o que torna o custo de capital ainda um desafio para as empresas no próximo ano.

“Nós temos uma visão mais cética para 2024 porque o processo desinflacionário será mais lento”, avalia o economista-chefe do Citi Brasil, Leonardo Porto, em conversa com jornalistas. O banco projeta inflação de 4,6% neste ano e de 4% no próximo ano, ante uma expectativa média do mercado de 4,53% e 3,91%, respectivamente. Ele explica que a taxa de desemprego baixa joga pressão sobre os salários e traz efeito ao setor de serviços, que é o mais aquecido do IPCA. “Será difícil romper os 4% e a expectativa é de que o BC deverá perseguir uma inflação de 3%.”

Como efeito, a tendência é que o ciclo de corte de juros seja interrompido com uma Taxa Selic, hoje em 12,25%, em 10% no próximo ano, contra uma projeção de 9,25% da média do mercado. “Teremos um processo desinflacionário mais lento no próximo ano e a taxa de juros globais seguirão altas no próximo ano. Esse é o desafio de ‘last mile’ que os economistas têm citado”.

Para o PIB, a visão do Citi é que o crescimento da economia brasileira seja de 3,1% neste ano e de 1,5% no próximo, ante consenso de 2,84% e 1,5%. “O Brasil está crescendo acima do potencial graças aos serviços e consumos da família, uma vez que os investimentos ainda seguem pressionados. O resultado deste terceiro trimestre demonstrou mais uma vez isso”, prossegue Porto.

Também em uma postura mais conservadora, Porto diz que é cético em relação ao crescimento do PIB potencial brasileiro, visão que vem sendo defendida tanto pelo Banco Central quanto pela equipe econômica. Ele reconhece que as reformas aprovadas, entre elas a tributária, contribuem para a melhora desse indicador. Mas há elementos pesando contra. Ele cita  a mudança demográfica vista no Brasil, mostrando um crescimento da população menor do que o esperado nos últimos anos – e a baixa qualidade educacional.  “As reformas implementadas foram muito bem-vindas, mas isso não significa que o PIB potencial tenha subido. Há outros fatores que afetam esse indicador”, afirma Porto.

No cenário internacional, o Citi estima que o corte de juros nos Estados Unidos deve ocorrer apenas em julho deste ano, também em uma visão mais conservadora que o mercado, que espera a primeira redução a partir de março. Para Porto, o ciclo de corte deverá ocorrer em um provável cenário de retração da economia americana a partir do segundo trimestre de 2024. “Não deve ser uma recessão severa, mas servirá de motivador para o movimento”, acrescenta.

Apesar de a macroeconomia mostrar desafios, o head de global markets da franquia, Eduardo Miszputen, prevê que o Brasil seguirá no foco dos investidores no próximo ano. Ele cita o andamento das reformas em andamento no Congresso, o que mantém o país como destaque entre os emergentes.

“Devemos ter um fluxo [estrangeiro] maior vindo para o Brasil neste primeiro trimestre, inclusive vemos uma antecipação desse movimento já no fim deste ano. Os investidores estão com uma visão mais positiva e otimista com relação a performance do Brasil.”

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Rikardy Tooge

Repórter de Negócios do InfoMoney, já passou por g1, Valor Econômico e Exame. Jornalista com pós-graduação em Ciência Política (FESPSP) e extensão em Economia (FAAP). Para sugestões e dicas: rikardy.tooge@infomoney.com.br