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Para Schneider Electric, sustentabilidade dá dinheiro e não é ‘abraçar árvore’

Principal mercado no Brasil está em grandes empresas e em prédios corporativos, mas gigante de energia vê potencial de crescimento em data centers

Lucas Sampaio

Sede da Schneider Electric na América do Sul, no prédio EZ Towers, na zona sul de São Paulo (Foto: Divulgação)

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Gigante mundial de energia, a Schneider Electric tem crescido com uma maior conscientização das empresas – e dos empresários – em relação à sustentabilidade e à economia de recursos. Para o CEO da empresa na América do Sul, Rafael Segrera, investir em gestão e automação de energia é um imperativo e vai muito além da “turma que abraça árvore” e do greenwashing.

“Tem um impacto de curto prazo e é sustentável também no preço, pois o investimento tem um retorno comprovado em no máximo três anos”, afirma o venezuelano ao IM Business. “Uma empresa de 34 bilhões como nós, global, você acha que faz sustentabilidade porque gosta de ‘abraçar árvore’?”, questiona o executivo. “Tudo bem, eu pessoalmente gosto de abraçar. Mas, se alguém não quiser fazer pelo planeta, faz pelo bolso”.

A Schneider Electric é uma gigante francesa de energia com mais de 135 mil funcionários em todo o mundo, que em 2022 teve uma receita de 34,2 bilhões de euros (mais de R$ 180 bilhões na cotação atual) e 3,5 bilhões de euros de lucro líquido (quase R$ 19 bilhões). Fundada em 1836 por Eugène Schneider, a empresa é listada na bolsa de Paris e atua no gerenciamento e na automação da energia, produzindo tanto equipamentos quanto softwares de gestão, para diminuir custos e gerar eficiência para os clientes.

A operação brasileira é grande na região, mas pequena em relação ao todo. São cerca de 1,8 mil empregados no país, que representa mais de 50% das receitas na América do Sul, mas a grande maioria da receita da Schneider vem da América do Norte (32%), da Ásia e do Pacífico (30%) e da Europa (25%). A América do Sul aparece dentro da categoria “resto do mundo” (13%), que inclui África, Oriente Médio e Europa central e oriental, e há poucas menções à região e ao Brasil no balanço do terceiro trimestre da empresa.

O “resto do mundo” teve um forte crescimento orgânico de 27% na receita entre julho e setembro, e sobre o Brasil a empresa destacou um “forte crescimento” em automação industrial, mas uma “contínua fraqueza” no segmento de gestão de energia (a empresa também atua em outros 9 países da região e tem escritório em 6 deles).

Da Vale à EZ Towers

Dos quatro mercados nos quais a Schneider atua (predial, data centers, infraestrutura e indústria), Segrera diz que os dois últimos são os mais importantes no Brasil. Entre os clientes estão gigantes como Vale e Petrobras e grandes players de energia, como Cemig, CPFL, EDP e Energisa. Já em predial estão desde empresas de saúde, como Rede D’Or, Albert Einstein e Sírio Libanês, a até prédios corporativos, como o EZ Towers, um triplo A na zona sul de São Paulo onde fica a sede da Schneider na América do Sul.

O prédio construído pela EzTec tem a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), e Segrera faz questão de destacar que “toda a sua automação aqui é nossa”. O CEO inclusive vê o setor predial como uma das principais frentes de crescimento da empresa nos próximos anos no país.

“A indústria é o nosso principal negócio [no Brasil], enquanto o de data centers é o que tem o maior crescimento – mas ele ainda é pouco representativo”, afirma Segrera. “No predial já somos fortes e há duas avenidas de crescimento: os prédios novos têm maiores exigências, e os mais antigos precisam de investimento para serem mais eficientes”.

Rafael Segrera, CEO da Schneider Electric para a América do Sul (Foto: Divulgação)

Além do escritório na Chucri Zaidan, a Schneider Electric tem um centro de distribuição de 21 mil m² em Cajamar, na Grande SP, e duas fábricas: uma em Guararema (SP) e outra em Blumenau (SC). A empresa faz desde produtos simples, como tomadas e interruptores para residências, a até inversores de frequência e painéis de média tensão para indústrias, além de seus softwares de gestão e automação.

As soluções controlam e gerenciam não só os seus produtos, mas também o de concorrentes como Siemens e WEG. “Atuamos não só em produtos de energia, mas na gestão do consumo também”, afirma Segrera. Na Rede D’Or, por exemplo, o foco da empresa é sustentabilidade, então um software da Schneider faz a gestão do gasto de energia nos hospitais. “Para reduzir, precisa medir. E conhecendo o consumo é possível criar um plano de ação”.

Importância do Brasil

Venezuelano radicado no Brasil desde 2018, o executivo está há mais de 20 anos na Schneider Electric e já trabalhou na China, na França e no Canadá. Ele comanda a operação de toda a América do Sul e defende a importância da região – e do Brasil –, apesar da baixa participação sulamericana nos ganhos da empresa.

“Não é só o tamanho da receita, é o impacto que podemos ter. A região tem 40% da biodiversidade do mundo, e é no hemisfério Sul onde está o potencial de crescimento”, afirma Segrera, que em novembro foi conhecer a segunda maior produção de camarões do mundo, no Equador, pois a Schneider Electric atua no projeto de descarbonização do setor. “Na luta contra as mudanças climáticas, temos de ser os guardiões”.

No Brasil, a empresa está há 76 anos. O executivo diz que “o país está em uma boa direção, mas precisa acelerar as transformações que geram impacto no planeta”. Afirma ainda que o Brasil “tem a vantagem da matriz energética, mas não está aproveitando todo o potencial que tem”, e ressalta que a missão da Schneider Electric é ser “a ponte entre o progresso e a sustentabilidade”.

IM Business

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Lucas Sampaio

Jornalista com 12 anos de experiência nos principais grupos de comunicação do Brasil (TV Globo, Folha, Estadão e Grupo Abril), em diversas funções (editor, repórter, produtor e redator) e editorias (economia, internacional, tecnologia, política e cidades). Graduado pela UFSC com intercâmbio na Universidade Nova de Lisboa.