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Os preparativos da Prio para adicionar 40 mil barris à sua capacidade de produção diária

Com início de perfuração no campo de Wahoo, Prio se prepara para aumentar capacidade de produção; dinheiro em caixa também pode ajudar na agenda de M&A

Felipe Mendes

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Maior petroleira privada do país, a Prio (ex-PetroRio) está na reta final de um processo de aprimoramento da sua capacidade que irá adicionar 40 mil barris de petróleo na sua produção diária. Isso porque a empresa deve iniciar ainda neste mês a perfuração de poços no campo de Wahoo, na Bacia de Campos. A expectativa é que o primeiro óleo seja extraído no início do segundo semestre. O campo será interligado com o de Frade, que vão compartilhar a mesma plataforma de produção (FPSO).

Mesmo a volatilidade recente do petróleo, que caiu para a faixa dos US$ 70 o barril nesta segunda-feira (8), não preocupa as projeções da empresa. “Eu acho que o petróleo deve permanecer na faixa entre US$ 75 e US$ 85, mas eu não apostaria em extremos, como voltando a US$ 60 ou a US$ 100”, diz Roberto Monteiro, CEO da Prio, ao IM Business.

Oriunda da HRT e até pouco tempo chamada de PetroRio, a empresa cresceu exponencialmente ao adotar uma estratégia de recuperação de campos maduros, comprando diversos ativos que para suas concorrentes, como a Petrobras, já não faziam mais sentido. O turnaround se desenhou alguns anos depois que o empresário Nelson Tanure assumiu a posição de maior acionista individual da operação, em 2013. “A empresa se deu bem por ter identificado lá atrás que o que sustenta o negócio é fluxo de caixa e produção”, afirma Monteiro. “A gente conseguiu identificar isso em 2015. Foi quando fizemos várias operações de M&A, comprando de empresas grandes ativos que para eles já não fazem sentido, e revitalizando esses ativos, com eficiência e otimização dos custos.”

Operação da Prio: empresa foca na expansão da produção (Divulgação)

Com quatro campos de petróleo em produção atualmente (sendo que dois produzem por uma única FPSO: Polvo e Tubarão-Martelo), a Prio entrega hoje uma produção diária estimada em 100 mil barris por dia, sendo que quase a metade vem do campo de Frade. O nível na casa dos três dígitos foi superado pela primeira vez em setembro, quando a companhia atingiu um lifting cost de US$ 7,0 por barril. No terceiro trimestre, a petroleira obteve uma receita líquida de US$ 835 milhões, alta de 121% na comparação com igual período do ano anterior. O lucro líquido do período ficou em US$ 348 milhões, avanço de 126% na mesma base de comparação.

A empresa também observou um ganho operacional ao desenvolver uma área de trading no início de 2023. “Ela tem sido um grande diferencial. Antigamente, a gente vendia o óleo na FPSO, vinha o trade e buscava o óleo. Hoje, a gente entrega o óleo direto para a refinaria”, explica ele. A Prio, atualmente, tem como principal mercado a China.

Além de adicionar 40 mil barris em sua produção diária a partir do funcionamento do campo de Wahoo, a empresa também se prepara para aprimorar a produção no campo de Albacora, que teve a aquisição concluída em janeiro de 2023 – a negociação com a Petrobras, antiga dona do ativo, foi firmada por US$ 1,95 bilhão. Em abril, a Prio deve realizar uma parada de manutenção no campo de Albacora Leste. A partir de 2027, é previsto que o pico de produção do ativo será de 65 mil barris diários.

Monteiro diz que não há preferência por ativos da Petrobras para fusões e aquisições – antes de Albacora, a empresa comprou Tubarão Martelo da Dommo Energia e adquiriu uma fatia considerável (40%) de Itaipu, ambas em 2022. “O que nós fazemos é não focar exclusivamente na compra de ativos da Petrobras. Isso foi bom porque fez com que nós desenvolvêssemos relacionamento com outras empresas. É um caminho mais longo, mais árido, mas que agora está começando a se pagar”, diz Monteiro. “A gente é one-trick pony. Produzimos petróleo em campos que já existem com o máximo de eficiência possível para melhorar a produção e os custos.”

A empresa também diz ser “totalmente favorável à transição energética”, mas acredita que a melhor forma de se adequar às demandas ESG é produzindo de forma mais sustentável com o objetivo de reduzir suas emissões de carbono na atmosfera. “Nós não temos como fazer investimentos grandes como a Petrobras para priorizar a transição energética. Até porque os investimentos seriam gigantescos. O que a gente pode fazer é melhorar os nossos ativos e aqueles que, por ventura, nós adquirirmos e melhorar do ponto de vista de pegada de carbono, de produção e assim por diante”, afirma Monteiro.

No mercado, analistas apontam um certo otimismo com a petroleira para 2024. O BTG Pactual afirma que a companhia está desalavancada, com “forte fluxo de caixa futuro e uma escala única na América Latina”, o que mostra um espaço para novos investimentos em breve. Já André Vital, head de óleo, gás e petroquímicos da XP, vê ganhos de produção com a implementação do campo de Wahoo e ressalta como possível entrave a disputa arbitral que há entre a empresa e ao IBV por parte do campo.

“Para fins de avaliação, nosso caso base assume que a Prio desenvolverá Wahoo com base em seu WI atual de 64,3%, com uma taxa de manuseio de USD 5 por barril no FPSO de Frade, que é considerado o cenário mais conservador. No entanto, vale ressaltar que se o Prio vencer o procedimento arbitral e garantir um WI de 100% para Frade, isso significaria um valor adicional de ~USD 800 milhões”, aponta ele. O imbróglio com o IBV definirá se a Prio ficará com 100% do espaço ou se a empresa, controlada pela indiana Videocon, mantém seus 35% sobre a operação.

IM Business

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