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N5 diminui complexidade de softwares de bancos enquanto cresce nas Américas

Empresa substitui e integra sistemas para tornar as atividades operacionais das instituições financeiras mais simples

Iuri Santos

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Uma instituição financeira pode ter dezenas de milhares de softwares funcionando ao mesmo tempo. Cartões, seguros, crédito imobiliário e investimentos, por exemplo, muitas vezes guardam dados e têm linhas de atendimento diferentes, o que diminui a eficiência dos atendimentos e a produtividade das equipes.

Atividades como atendimento de clientes por canais ou vendas de produtos se tornam mais complexas, uma vez que, para cada ação, há um sistema diferente. A dor de cabeça só aumenta com todas as fusões e aquisições pelas quais um banco passa no decorrer dos anos, já que cada instituição que se junta traz consigo mais softwares e mais dados.

Fundada com a ideia de centralizar essa intrincada rede, a N5 vem expandindo sua atuação global, com especial presença em bancos nas Américas. “Para se ter ideia, e isso não é hiperbólico, um banco pode ter até 72 mil softwares ativos para cuidar”, diz Julian Colombo, CEO e Fundador da N5. 

A empresa já consegue reduzir esses milhares de aplicações a um sistema mais enxuto de 31 softwares de gestão essenciais nessa indústria hoje disponíveis no portfólio da empresa, como plataformas de gestão de relacionamento com clientes, gerenciamento de processos, acompanhamento de vendas e comissões e omnicanalidade (ferramentas de atendimento em diversos canais, como agências, aplicativo e teleatendimento). Eles fazem isso por meio de substituições e integrações das antigas aplicações, centralizando todas as informações e comandos em interfaces dedicadas nessas 31 novas interfaces.

Para aqueles familiarizados com vendas e marketing, a solução não vai parecer nova — e de fato não é. Empresas que se destacaram na criação de softwares de gestão corporativa, como SalesForce, SAP, ou mesmo alguns produtos de Microsoft e Oracle, podem ter aplicações similares. Além disso, muitos dos bancos possuem suas próprias soluções desenvolvidas dentro de casa. “Muitos desses 72 mil softwares foram desenvolvidos por pessoas do próprio banco que já deixaram a empresa há muito tempo”, diz Colombo.

O que tem chamado a atenção de investidores, no entanto, é a dedicação exclusiva da N5 às necessidades da indústria financeira. Essas necessidades não se restringem apenas ao grande número de softwares que um banco pode acumular após fusões e aquisições, mas também serviços peculiares ao mercado, como processos de risco de crédito. Em geral, as concorrentes possuem aplicações que podem ser aplicadas a diversas indústrias e, apesar de normalmente possuírem times dedicados a cada uma delas, chegam a um limite de personalização, avalia Colombo, da N5.

Com faturamento de US$ 21 milhões (RS 104,35 milhões) em 2023, a N5 passou por uma rodada de investimentos (de valor não divulgado) liderada pela Illuminate Financial, fundo de venture capital que tem como sócios os bancos JP Morgan, Citi, Barclays e BNY Mellon.

Descrita pelo fundador como uma empresa conservadora e pouco gastadora, a N5 foi cautelosa na sua primeira rodada, com fundos demonstrando um interesse equivalente a oito vezes o valor da captação definido originalmente pela empresa. Além da Illuminate Financial, entraram no jogo a gestora de private equity Madrone Capital Partners, a firma de venture capital Overboost e sócios brasileiros LTS Investments — holding de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira — e Arpex Capital, dos fundadores da Stone, André Street e Eduardo Pontes.

“Nós não precisávamos de capital, fomos lucrativos desde sempre. O que queríamos eram sócios que pudessem ajudar a levar a companhia a outro nível. E aí nesse momento entraram algumas pessoas bem conhecidas no Brasil”, diz Colombo, CEO da N5. Embora esteja sediada nos Estados Unidos, a empresa prefere se apresentar como um negócio “de muitas nacionalidades”, frente à avaliação de que ataca um problema compartilhado por bancos mundo afora.

Parte da estratégia é justamente aumentar a penetração no Brasil junto a investidores estratégicos, com bom trânsito no mercado local. Hoje, aproximadamente 40% do faturamento da N5 vem da região composta por Estados Unidos e América Central, 25% nos países hispanófonos da América do Sul, 20% no Brasil e o restante dividido entre Europa, África e Oriente Médio. 

A representação do Brasil no faturamento já foi maior, mas o crescimento acelerado em mercados menores diluiu a participação do País. A empresa avalia que é mais fácil crescer nesses países fechando contratos com os grandes bancos, como no Paraguai, onde atuam junto a 80% das instituições financeiras. “Você vai em um país e tenta conquistá-lo. É uma indústria em que o boca a boca é extremamente importante”, diz Colombo. No Brasil, os principais clientes da empresa são Mastercard, Zurich e C6.

Mas a empresa não se restringe aos grandes nomes da indústria financeira. Uma das formas que a empresa encontra para atrair clientes menores é pela negociação com os provedores de serviços em nuvem: AWS, da Amazon; Azure, da Microsoft; Cloud, do Google, por exemplo. Como eles negociam em grande escala devido à demanda dos maiores bancos, é possível repassar para os clientes menores condições similares às das grandes instituições.

As diferenças regulatórias de cada país, um dos desafios que podem atingir empresas que desenvolvem tecnologia para o setor financeiro, não afeta tanto o negócio da N5, relata Colombo. “Nós desenvolvemos muito para a regulação inglesa, por exemplo, que é muito criteriosa, exige muito tratamento de dados. Muitos dos nossos produtos, quando chegam em outro mercado, nem precisam de alteração.”

A empresa viu o número de clientes aumentar 300% em 2023 e, segundo relata, levou todos os contratos que disputou no ano. Com a ampliação da sua equipe, agora capaz de atender mais fusos-horários, a empresa espera chegar a mais um continente: a Oceania, com testes de produtos na Australia até o fim de 2024.

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