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Itália entra em conflito com ArcelorMittal por controle de siderúrgica

Governo Meloni propôs aumentar a sua participação na Acciaierie d'Italia – anteriormente conhecida como Ilva – de 38% para 66%

Bloomberg

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O governo italiano comprometeu-se a adquirir uma participação majoritária na maior produtora de aço do país, em um conflito com o seu principal acionista, a ArcelorMittal, que ameaça desencadear uma batalha legal sobre a propriedade do negócio.

A disputa dá início a uma nova crise naquela que foi outrora a principal siderurgia da Europa, que, tal como muitas das suas congéneres na região, foi atingida por custos de energia mais elevados e uma procura industrial mais fraca. A administração da primeira-ministra Giorgia Meloni está preocupada com o declínio da produção e com o risco de demissões em massa.

A administração de Meloni propôs na segunda-feira (9) aumentar a sua participação na Acciaierie d’Italia – anteriormente conhecida como Ilva – de 38% para 66%, com a injeção de 320 milhões de euros (US$ 351 milhões), de acordo com um comunicado do governo. 

A decisão ocorreu no momento em que a ArcelorMittal expressou sua “indisponibilidade para assumir compromissos financeiros e de investimento, mesmo como acionista minoritário”, segundo o comunicado. A injeção de capital e as demais decisões sobre a empresa serão tomadas através do veículo estatal Invitalia Spa, que poderá iniciar um litígio, acrescenta o comunicado.

Um porta-voz da ArcelorMittal não foi encontrado imediatamente para comentar.

A aquisição de uma participação majoritária na Acciaierie d’Italia reflete uma tendência intervencionista que viu o governo de direita de Meloni entrar em várias sagas corporativas de longa data, incluindo a Telecom Italia e a Banca Monte dei Paschi di Siena.

A questão mais urgente para a fábrica é encontrar fundos suficientes para manter a produção. A siderúrgica está produzindo menos de 4 milhões de toneladas por ano, um recorde negativo quando comparado com a capacidade potencial máxima de cerca de 10 milhões de toneladas. Os altos-fornos da planta estão desligados ou funcionando ocasionalmente. 

Monitorização da União Europeia

Para evitar que a siderúrgica interrompa abruptamente as operações, o Estado poderia decidir colocá-la sob administração estatal, informou o jornal italiano La Stampa na terça-feira (9). 

Qualquer intervenção governamental na empresa seria acompanhada de perto pela União Europeia, que já vinha discutindo a dimensão e o alcance de tal medida com governos anteriores.

Dado que a siderúrgica é vista como um ativo estratégico de interesse nacional, o governo tem o poder de anular a oposição de um investidor privado e colocar a empresa sob administração especial, um procedimento de emergência que lhe permitiria continuar temporariamente as operações recorrendo a fundos públicos.

Planta da Acciaierie d’Italia em Taranto (Bloomberg)

Os responsáveis ​​governamentais deverão reunir-se quinta-feira (11) com os sindicatos, que têm apelado a um maior envolvimento do Estado para evitar cortes de empregos que poderiam paralisar a economia local.

O futuro da antiga fábrica de Ilva tem assombrado sucessivos governos italianos desde que as siderúrgicas foram colocadas sob administração na sequência de uma investigação iniciada em 2012. Isso desencadeou uma crise que reduziu a produção de aço, empurrando a empresa para a administração e levantando questões sobre o futuro dos seus 10 mil trabalhadores. 

A crise foi sentida de forma mais aguda na cidade de Taranto, no sul, onde está localizada a principal instalação. As autoridades judiciais associaram as siderúrgicas locais às elevadas taxas de cancro e aos elevados níveis de emissões de dioxinas na área. 

© 2024 Bloomberg LP

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