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Para ter sucesso com inteligência artificial, adote uma mentalidade de iniciante

Segundo pesquisa, isso fortalece sua liderança e aumenta o bem-estar

Jacqueline Carter, Marissa Afton e Paula Kelley Harvard Business Review

Inteligência artificial nas eleições: TSE publicou norma com uma série de restrições (Foto: Pixabay)
Inteligência artificial nas eleições: TSE publicou norma com uma série de restrições (Foto: Pixabay)

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Os receios que cercam a inteligência artificial (IA) dominam as manchetes todos os dias: empregos serão eliminados, será feito uso indevido da propriedade intelectual, dados pessoais podem ser comprometidos e preconceitos podem ser disseminados.

Por trás dessa ansiedade toda relacionada à IA estão medos mais universais, que muitas vezes acompanham períodos de avanço tecnológico, por exemplo, o receio de não entender a novidade, de ficar ultrapassado ou ser deixado para trás por aqueles que são “mais inteligentes”, ou de ser visto como idiota ou “escola antiga” por aqueles que lideramos.

As tecnologias vêm e vão, mas em tempos de progresso e de grandes mudanças, como a atual revolução trazida pela IA, nós, como líderes, precisamos estar atentos aos medos que surgem e ao instinto muito humano de proteger nosso ego, que está intimamente ligado ao entendimento que temos de nossa própria experiência.

Deixar de lado a imagem de “especialista” e adotar uma postura de “iniciante” pode parecer contrário à nossa ideia de liderança forte. No entanto, de acordo com uma pesquisa da Potential Project, isso não só fortalecerá sua liderança, mas também aumentará o bem-estar e o compromisso das suas equipes em 25% ou mais.



O que significa ser iniciante?


Tanto a ciência quanto a sabedoria tradicional fornecem estruturas úteis para entendermos o que significa ser iniciante. Na tradição Zen Budista, o conceito de shoshin significa abordar tudo na vida com mentalidade de iniciante. Em outras palavras, você não permite que crenças pré-existentes ou experiências passadas influenciem a forma como você aborda uma situação nova. Em vez de suposições ou pré-conceitos, você traz curiosidade. Você substitui o desejo de ter respostas pelo de aprender e pela abertura a novas formas de pensar e agir.

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No momento atual, com a perspectiva constante de que a IA fará uma reviravolta na forma como trabalhamos, líderes bem-sucedidos são aqueles que conseguem se libertar dos seus medos, que conseguem entrar no novo ambiente com curiosidade e flexibilidade. Infelizmente, muitos de nós perdemos a capacidade de fazer isso há muito tempo.

O que atrapalha?


A maioria de nós passa a carreira inteira tentando se tornar especialista em alguma coisa; a experiência nos permite garantir promoções, empregos melhores ou salários mais altos. Mas, num caso perfeito de “faca de dois gumes”, esta experiência corrói nossa flexibilidade cognitiva e nos desvia para a chamada zona de entrincheiramento cognitivo.

Essencialmente, quanto mais inteligentes e experientes nos tornamos, mais propensos estamos a nos prender às nossas formas de pensar e agir, a ponto de buscarmos fatos e dados que apoiem nossa perspectiva, ignorando aquilo que possa contrariá-la. (Neurocientistas chamam isso de viés de confirmação.)

Mesmo que nossa experiência não atrapalhe a adoção de coisas novas, nossa preguiça cognitiva geral poderá fazer isso. Nossos cérebros são mestres em conservação de energia. Sempre que podemos, entramos no modo de piloto automático para dedicar o mínimo de pensamento consciente possível às coisas. Isto nos permite caminhar pelo mundo de forma inteligente e eficiente, mas também pode nos impedir de adotar novas formas de ver uma situação ou de resolver um problema de um jeito diferente.

Uma última e importante barreira para a adoção da mentalidade de iniciante é percepção errônea. Nós, particularmente os líderes, julgamos mal como realmente nos comportamos e presumimos, incorretamente, que temos uma mente de iniciante. A Potential Project pediu a 85 líderes que se avaliassem nas dimensões de expertise e abertura, e solicitamos que 250 colaboradores avaliassem seus líderes nessas mesmas dimensões. Na dimensão expertise, os líderes deram a si mesmos uma nota 3% mais alta do que os colaboradores os deram. Na dimensão abertura, os líderes se avaliaram 14% mais positivamente do que os colaboradores.

A mensagem? Todos nós teremos que nos esforçar para nos tornarmos líderes abertos e curiosos, que não permitem que o medo ou o ego atrapalhem o sucesso ao lidar com grandes mudanças. Nossos colaboradores estão de olho. E mais: nossa mentalidade está impactando o bem-estar e a produtividade deles.

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O que está em jogo?



De acordo com a Gallup, o estresse dos colaboradores atingiu um nível recorde em todo o mundo, e, no momento, um grande impulsionador disso é a IA. Quase um quarto de todos os trabalhadores afirma estar preocupado com a possibilidade de o seu emprego se tornar obsoleto devido à tecnologia, índice que alcançava 15% em 2021. Há muitas coisas que os líderes podem fazer para ajudar, incluindo estratégias de melhoria e requalificação.

Mas um fator crucial na adoção e preparação dos colaboradores para a IA será a receptividade do próprio líder às grandes mudanças que se avizinham – não como um expert que já tem tudo planejado, mas como aprendiz, com humildade intelectual e curiosidade.

Para investigar por que isso é importante, pedimos aos colaboradores que avaliassem seus líderes nas dimensões mencionadas de expertise e abertura. Depois, correlacionamos as percepções deles sobre o líder com resultados como a intenção de pedir demissão, esgotamento e satisfação no trabalho.

Os colaboradores que consideram que os seus líderes confiam na expertise e que também permanecem abertos têm resultados significativamente melhores do que aqueles que consideram que os seus líderes têm pouco expertise e abertura.
E é a variável abertura que parece ser a chave para resultados melhores, mais do que a variável expertise. Os colaboradores que percebem que seus líderes têm um alto nível de expertise, mas baixa abertura, têm mais intenção de pedir demissão e o mesmo nível de esgotamento que os colaboradores que consideram que seus líderes têm índices baixos de ambos.

Como avaliar sua mente iniciante



Ao analisar até que ponto a mentalidade de iniciante pode ajudar você e sua equipe a ter sucesso com a IA, qual é sua posição nesse atributo crítico? Seguem algumas questões relevantes que você deve considerar sobre seu estilo de liderança:

– Considero várias opções antes de tomar uma decisão.

– Mesmo em situações familiares, tento permanecer aberto a novos aprendizados e novas perspectivas.

– Consigo me colocar no lugar dos outros facilmente.

– Acredito que sempre há algo novo para aprender, mesmo em áreas onde me considero expert.

– Sinto-me confortável em admitir quando não tenho informações suficientes sobre um tópico e estou disposto a aprender com outras pessoas.

– Quando alguém me mostra que estou errado, de quando em quando mudo opiniões que eram importantes para mim.

Se você acha que tem oportunidades de melhoria, inicie aos poucos. Talvez você se recorde um pouco da alegria que deriva de aprender algo novo pela primeira vez e de como isso é bom. Ou talvez você possa tentar fazer algo criativo. Os pesquisadores estudaram como aqueles que estão no topo das suas áreas, por exemplo os vencedores do Prêmio Nobel, são exponencialmente mais propensos a se envolver em atividades criativas como canto, dança, poesia, literatura e artes visuais.

É hora de você se preparar e também sua equipe para se envolver com as oportunidades e desafios da IA. Comece ao avaliar sua mentalidade. Como notavelmente disse o professor Zen Shunryu Suzuki: “na mente do iniciante existem muitas possibilidades, mas na mente do expert poucas.”

HBR: ©.2024 Harvard Business School Publishing Corp./Distribuído por The New York Times Licensing Group