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Estimativas para a colheita de soja no Brasil continuam a recuar, mas cotações seguem sob pressão

Com recuperação de Argentina e Paraguai, relação global entre oferta e demanda é confortável 

Fernando Lopes

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Os problemas climáticos que afetaram o plantio e o desenvolvimento de lavouras de soja em diversas regiões do país continuam a gerar revisões para baixo nas estimativas de colheita do grão nesta safra 2023/24. Antes do início da semeadura, em meados de setembro, o cenário indicava que o volume poderia bater um novo recorde e se aproximar de 170 milhões de toneladas, mas agora as estimativas giram em torno de 150 milhões de toneladas, um pouco mais ou um pouco menos.

Na segunda-feira, a AgRural reduziu seu cálculo de 150,1 milhões para 147,7 milhões de toneladas. Nas contas da consultoria, 40% da área plantada foi colhida até quinta-feira, e o corte refletiu perdas de rendimento constatadas em polos do Paraná e do Mato Grosso do Sul, por causa do calor e das chuvas irregulares em janeiro e no início deste mês. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) trabalha com 149,4 milhões de toneladas, 3,4% menos que no ciclo 2022/23, quando um novo recorde foi batido.

Mesmo com a redução da oferta no Brasil, que lidera a produção global da oleaginosa, as cotações seguem sob pressão nos mercados externo e interno. Apesar da alta desta terça-feira, na bolsa de Chicago a queda nos últimos 12 meses chega a cerca de 25% e os futuros têm sido negociados abaixo de US$ 12 por bushel, uma vez que a produção está em recuperação em países como Argentina e Paraguai e são positivas as perspectivas para a próxima safra dos Estados Unidos (2023/24), o que mantém a relação entre oferta e demanda confortável no mundo. 

Sob essa influência, no mercado doméstico os preços também não encontram suporte para subir. O indicador Esalq/BM&F Bovespa para a saca de 60 quilos negociada no porto de Paranaguá, no Paraná, fechou ontem a R$ 114,97 por saca, 32% menos que há um ano e abaixo de R$ 115 pela primeira vez desde julho de 2020. Consultorias como a M.Prado, com sede em Uberlândia (MG), acreditam que a sangria está perto de estancar, até porque os custos com insumos como fertilizantes, por exemplo, dão sinais de que também recuaram o que tinham que recuar. 

Com o auxílio de uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida em parceria com aTM Quant, e que leva em consideração 3 mil fatores e 64 milhões de cenários possíveis, a M.Prado projeta relativa estabilidade em Chicago nas próximas semanas, com menos volatilidade e os futuros negociados entre US$ 11,47 e US$ 12,36. Desde que o clima se mantenha comportado no Hemisfério Norte, esse nível deverá ser mantido também nos próximos meses, talvez com uma leve valorização.

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