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Como anda o mercado de ovinos na Austrália, onde atuam JBS e Minerva

Preços internacionais estão no patamar mais baixo desde 2016 depois de um excedente de oferta gerado no maior produtor mundial

Alexandre Inacio

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Seja no campo ou na indústria, trabalhar o mercado de ovinos na Austrália não tem se mostrado muito lucrativo em 2023. Maior exportador mundial da proteína, o país vem sofrendo com um excedente de oferta sem precedentes, que tem derrubado tanto o preço dos animais quanto os valores da carne no mercado internacional.

Entre 2019 e 2022, a Austrália surfou uma onda que combinou dois fatores positivos: a demanda em ascensão estimulou a retenção de matrizes e alavancou a produção, que ainda contou com condições climáticas favoráveis.

O rebanho ovino do país chegou a 78,7 milhões de cabeças, o maior desde 2007, segundo o Meat and Livestock Australia (MLA). Com o aumento da oferta e a dificuldade de segurar pelo menos uma parte dos animais no pasto devido à seca que atinge o país neste ano, a oferta acabou superando a demanda global.

O próprio Departamento de Agricultura, Pesca e Florestal da Austrália (Ministério da Agricultura) prevê que as exportações de carne ovina do país recuará 16% no ciclo 2023/24, para US$ 3,8 bilhões.

Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostram que nos últimos 12 meses a carne ovina no mercado internacional acumula uma desvalorização de 25%. Em outubro, o preço médio foi de US$ 0,856 por libra-peso, o mais baixo em sete anos, ante US$ 1,154 do mesmo mês do ano passado.

Mas o cenário negativo é ainda anterior. Em janeiro do ano passado, o preço médio da carne ovina alcançou os US$ 1,682 por libra-peso, maior patamar desde 2008. Desde então, o mercado tem visto uma retração constante das cotações internacionais.

Minerva (BEEF3) e JBS (JBSS3) são as duas empresas brasileiras que têm operações de ovinos na Austrália. A JBS preferiu não conceder entrevista sobre sua situação nesse mercado no país. A Minerva informou que, como os preços da carne estão mais firmes que os dos animais, tem conseguido margens positivas na operação.

Aumento da produção de ovinos na Austrália derrubou os preços internacionais (foto: Getty Images)

Além de ovinos, a JBS tem na Austrália operações de bovinos, suínos e peixes. Em seu último balanço trimestral, a companhia reportou uma queda de 12% na receita gerada no país, para R$ 7,68 bilhões. Não é possível identificar o peso de cada proteína nas vendas.

Em fevereiro, a JBS chegou a anunciar um investimento de US$ 20 milhões e a reinauguração da unidade de cordeiros instalada em Cobran. O anúncio ocorreu dois meses depois de a Minerva ter comunicado a entrada no mercado australiano de ovinos, com a aquisição da Australian Lamb Company.

Em outubro de 2022, a Minerva se juntou ao Salic – fundo soberano da Arábia Saudita – para levar por US$ 260 milhões a Australian Lamb Company, maior empresa de cordeiros da Austrália. À época, a Minerva informou que a nova aquisição tinha 93% de sua receita gerada a partir das exportações para países como Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, Europa e Oriente Médio.

O negócio garantiu à Minerva a liderança do mercado australiano de cordeiro, com uma participação de 15% do abate total no país. Um ano antes, a companhia já havia adquirido dois frigoríficos de ovinos na Austrália – Shark Lake e Great Eastern Abattoir. Somadas, as operações deram à empresa brasileira uma capacidade para abater 4,78 milhões de animais por ano.

A Minerva passou a divulgar dados sobre seus negócios na Austrália a partir de 2023. No terceiro trimestre, a receita da companhia a partir do país recuou 6,9% em comparação ao segundo trimestre, para R$ 497,6 milhões. O volume de vendas também caiu, 7,5%, para 17,3 mil toneladas.

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