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Coamo prevê ano difícil, mas amplia investimentos

Cooperativa projeta aportes de R$ 3,5 bilhões até 2026, com destaque para a construção de uma usina de etanol de milho

Fernando Lopes

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Depois de novamente registrar resultados recorde e ver sua receita líquida superar R$ 30 bilhões em 2023, a Coamo, maior cooperativa agrícola da América Latina, projeta um ano de maiores dificuldades. A quebra da safra de grãos e o recuo dos preços de commodities como soja e milho tendem a brecar o avanço do grupo e exigir dos associados cautela na gestão financeira, mas nem por isso investimentos serão interrompidos. Pelo contrário. Para o triênio 2024-2026, a expectativa é que os aportes alcancem R$ 3,5 bilhões, em uma nova usina de etanol de milho e na expansão e modernização de fábricas, entrepostos e escritórios.

Com sede em Campo Mourão, no Paraná, a Coamo conta com mais de 30 mil cooperados  no Estado, em Santa Catarina e em Mato Grosso do Sul. Para ajudar a enfrentar um 2024 complicado, os associados contam com a distribuição de R$ 850 milhões em sobras (lucros) obtidas no ano passado, de um total que alcançou R$ 2,324 bilhões, 2,9% mais que em 2022. Na comparação, a receita aumentou 7,6% para R$ 30,3 bilhões, e o patrimônio líquido cresceu 17,5%, para R$ 10,6 bilhões. Os investimentos somaram quase R$ 570 milhões em 2023, com destaque para a inauguração de uma nova fábrica de rações em Campo Mourão e a ampliação da estrutura no Paraná e em Mato Grosso do Sul..

“Tivemos uma sequência de bons anos, e os cooperados têm alguma gordura para queimar. Mas boa parte dos lucros que eles tiveram foi transformada em investimentos, por isso é preciso cautela em um ano como este. Os produtores terão entre abril e maio muitas contas a pagar, e os riscos aumentaram”, afirmou Airton Galinari, presidente-executivo da Coamo, ao IM Business. O grupo recebeu dos cooperados quase 10 milhões de toneladas de produtos agrícolas em 2023, sobretudo soja e milho, e com os problemas climáticos gerados pelo El Niño, esse volume poderá recuar agora. Ao mesmo tempo, as cotações dos grãos caíram ainda mais nos últimos meses, em linha com recuos no mercado internacional, e essa conjunção, no campo, é particularmente desafiadora.

Airton Galinari, presidente-executivo da Coamo (foto: Divulgação)

Daí a importância do investimento que está sendo feito na nova usina de etanol de milho, que se transformará em uma âncora importante para os associados que cultivam o cereal. A fábrica deverá absorver investimentos de quase R$ 1,8 bilhão e, por ano, processará cerca de 600 mil toneladas do grão e produzirá 250 milhões de litros do biocombustível e 180 mil toneladas de DDG, subproduto de alto valor agregado usado na alimentação animal. “Esse novo negócio deverá agregar entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões por ano ao nosso faturamento”, afirmou Galinari.

Em tempos bicudos, a diversificação das operações costuma funcionar como um escudo eficiente, e a Coamo mantém atualmente uma ampla gama de negócios. Embora não atue no segmento de carnes, tem três esmagadoras de soja, duas refinarias de óleo de soja, dois moinhos de trigo, uma fábrica de gorduras e margarinas, uma fiação de algodão e uma torrefadora de café. Também exporta parte relevante da soja e do milho que recebe dos associados, o que também garante boa rentabilidade nas operações com as matérias-primas. Em 2023, os embarques alcançaram 4,9 milhões de toneladas e renderam US$ 2,2 bilhões, com incrementos de 131% e 88,1%, respectivamente, em relação ao ano anterior.

“Além do aporte na usina de etanol de milho, que deverá começar a rodar em 2026, vamos continuar modernizando e ampliando nossas fábricas e expandindo nossa presença nos Estados em que atuamos, principalmente no Paraná e em Mato Grosso do Sul”, disse Galinari. No Estado do Centro-Oeste, um dos municípios que tem recebido atenção especial é Dourados, que concentra um dos principais polos agropecuários regionais.

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