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Após colapso em Maceió, Fitch rebaixa rating da Braskem para grau especulativo

Downgrade ocorre após reclamações de R$ 1 bilhão por parte do Ministério Público

Felipe Mendes

Mina 18 de sal-gema da Braskem (Foto: IMA/Alagoas)

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A agência de classificação de risco Fitch rebaixou nesta quinta-feira (14) os ratings da Braskem. Com isso, as IDRs (Issuer Default Ratings – Ratings de Inadimplência do Emissor) da petroquímica caíram de ‘BBB+’ para ‘BB-‘, o que configura grau especulativo -ou seja, com maior risco de que a empresa não consiga arcar com seus compromissos. Além da holding, foram rebaixadas as notas das subsidiárias da companhia nos Estados Unidos (de ‘BBB-‘ para BB+’) e na Holanda (de ‘BB’ para ‘BB-‘). Um fator determinante para a tomada de decisão da agência foi o pedido conjunto do Ministério Público Federal (MPF), da Defensoria Pública da União (DPU) e do Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) de um bloqueio de R$ 1 bilhão das contas da empresa para cumprimento de decisão liminar.

O anúncio ocorre cerca de duas semanas após a própria agência divulgar que o cenário da empresa era “preocupante” diante da possibilidade iminente de uma catástrofe ambiental oriunda da exploração de minas de sal-gema em Maceió (AL), o que comprometeu o solo e levou a evacuação urgente de cinco bairros na cidade.

“Os ratings negativos refletem o aumento dos riscos ambientais e as novas reclamações de R$ 1 bilhão (US$ 200 milhões) associadas ao possível colapso de uma mina de sal no contexto do evento geológico em Alagoas, o que poderia piorar o perfil do fluxo de caixa da empresa”, diz trecho do documento. “A Fitch espera que o FCF (fluxo de caixa para financiamento) fique negativo por um período mais longo do que o esperado, enquanto a empresa permanece exposta a uma desaceleração prolongada no setor petroquímico, o que resultou em um aumento significativo da dívida líquida.”

A Fitch pontua que a tomada de decisão não leva em conta a redução da produção da empresa no curto prazo, mas um conjunto de fatores que incluem o excesso de produção na Ásia e um cenário ainda desafiador para 2024, além, claro, do cenário preocupante em termos socioambientais vivido em Maceió. “O evento geológico poderá ser um catalisador de deterioração financeira, aumentando o passivo da Braskem, uma vez que o número de processos cobrados à empresa poderá aumentar”, afirma a agência. “A Fitch vê uma exposição incremental aos impactos sociais de novas reivindicações e custos de reparação para as vítimas e comunidades que vivem em áreas próximas, além das 14.446 famílias realocadas para outras regiões. Isto poderá ter um impacto negativo no perfil de crédito, pois prejudica a reputação da empresa e pode pôr em risco o FCF.”

(Divulgação/Braskem)

A Fitch prevê que a alavancagem líquida, excluindo a Braskem Idesa, será de cerca de 10,0 vezes em 2023, caindo para 5,5 vezes em 2025 – anteriormente, a previsão era de 3,5 vezes nesse quesito. A Braskem diz ter desembolsado cerca de R$ 10 bilhões (US$ 2 milhões) em frentes de atuação à realocação, monitoramento e fechamento das cavidades de sal, questões ambientais e medidas sociais e urbanas. “A Fitch espera que a Braskem continue comprometida em preservar sua liquidez, mantendo sua política conservadora de dividendos, especialmente enquanto a alavancagem estiver acima de 2,5 vezes. A empresa tem a capacidade de reduzir Capex e custos fixos, otimizar o capital de giro e monetizar créditos fiscais se as condições de mercado permanecerem piores do que o previsto em 2024.”

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