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Acordo de Americanas com credores está próximo, mas Safra deve ficar de fora

Banco tem a receber R$ 2,5 bilhões da varejista, sendo um dos principais credores da empresa

Rikardy Tooge | Raquel Balarin

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Um acordo entre a Americanas e seus principais credores está perto de ocorrer nos próximos dias, mas a tendência é de que uma de suas principais dívidas siga em aberto. O Banco Safra, que tem R$ 2,53 bilhões em créditos a receber da varejista, vem dando sinais de que ainda não concorda com a equação. Entre os bancos, o Safra é o quinto credor da empresa, atrás de Bradesco (R$ 4,13 bilhões), Santander (R$ 3,57 bilhões), BTG Pactual (R$ 3,52 bilhões) e Itaú (R$ 2,74 bilhões) – essas quatro instituições financeiras estão capitaneando as discussões.

Com o fechamento do acordo entre acionistas e credores, a Americanas deve receber uma capitalização de R$ 24 bilhões. A negociação que está sendo costurada prevê que dívidas de R$ 19 bilhões com um grupo de bancos seja convertida em até R$ 12 bilhões em ações da empresa. Segundo informações da Folha de S. Paulo, o restante dos créditos seguiria o fluxo de pagamentos do processo de recuperação judicial, em parcelas e com descontos.

A não-adesão do Safra não impedirá a assinatura do acordo, mas atrapalha as conversas. Apesar de circularem informações de que uma questão familiar estaria influenciando a decisão do banco de não assinar o acordo, a instituição garante que o que norteia suas ações são questões técnicas. Entre os pontos levantados pela instituição está o fato de a empresa não ter apresentado seus balanços dos últimos três anos. “Para o Safra, são documentos essenciais que podem permitir aos credores conhecer a situação econômica da empresa antes de, por exemplo, votar a recuperação judicial”, informou o banco em nota.

Durante a divulgação dos balanços referentes a 2021 e 2022, o CEO da Americanas, Leonardo Coelho, afirmou a analistas que a empresa tinha o apoio dos representantes de pouco mais de 60% da dívida e que as conversas estavam evoluindo. Uma assembleia geral de credores (AGC) foi agendada para o dia 19 de dezembro, com a expectativa de que um acordo preliminar entre Americanas e bancos seja encaminhado até lá. Para a maior parte das instituições financeiras, é relevante que o acordo seja concluído antes de 31 de dezembro, data de fechamento do balanço.

O Banco Safra tenta na Justiça do Rio de Janeiro impedir que a Americanas convoque a AGC de dezembro. O banco alega que “questões procedimentais prévias” impossibilitam a reunião para aprovar o plano de recuperação judicial. O Safra pede que a Americanas apresente uma lista atualizada de credores, considerando a data-base de 19/01/2023 – a Americanas anunciou suas inconsistências contábeis em 11 de janeiro.

Procurada, a Americanas informou que não comenta o caso.

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Rikardy Tooge

Repórter de Negócios do InfoMoney, já passou por g1, Valor Econômico e Exame. Jornalista com pós-graduação em Ciência Política (FESPSP) e extensão em Economia (FAAP). Para sugestões e dicas: rikardy.tooge@infomoney.com.br