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Alta cúpula da BR Insurance vendeu ações da empresa meses antes da queda de 65%

Relatório da CVM mostra que diretoria e conselho de administração da empresa venderam ao todo 571,9 mil ações em janeiro; papéis valiam cerca de R$ 18 na época, mais que o dobro dos preços atuais

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(Divulgação )

SÃO PAULO - A queda de 62,76% em 5 dias das ações da BR Insurance (BRIN3) foi bastante dolorosa para quem estava posicionado na empresa antes da divulgação do resultado do 4º trimestre. Contudo, para os diretores e conselheiros da companhia, podemos considerar que a dor das perdas foi bem mais amena, visto que em janeiro eles venderam uma boa parcela de suas participações no capital.

A informação pode ser confirmada no relatório CVM 358 de posição consolidada, um documento que as empresas de capital aberto são obrigadas a enviar à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e que mostra a movimentação mensal feita por diretores e membros de alto escalão das companhias.

Durante aquele mês, os papéis da BR Insurance oscilaram entre R$ 19,60 e R$ 17,60, muito acima dos R$ 6,09 vistos no fechamento da última segunda-feira (7). No dia 31 de março, primeiro pregão pós-divulgação do balanço de 2013, as ações da companhia foram de R$ 16,35 para R$ 11,41 - queda de 30,21%.

O relatório referente ao mês de janeiro - publicado no site da CVM em 10 de fevereiro - mostra que os membros do conselho de administração da BR Insurance terminaram o primeiro mês de 2014 com 474.937 papéis a menos do que começaram, indo de 1.858.489 para 1.383.552 ativos BRIN3 - queda de 25,6%. Com isso, a participação dos conselheiros no capital social da empresa caiu de 1,9% para 1,4%.

Já os diretores da empresa venderam 8,6% da participação que detinham na empresa, indo de 1.124.323 para 1.027.326 ações, informa a CVM. A principal intermediadora das vendas tanto do conselho quanto da diretoria foi a corretora do BTG Pactual.

O drama BR Insurance
A empresa vive um evidente clima de desconfiança por parte dos investidores e também por parte dos analistas, que estão ainda sem saber exatamente o que "recomendar" e o que projetar para os próximos resultados. Como cereja no bolo dessa onde de tensão, o presidente da empresa, Antônio José Ramos, afirmou que não se candidatará à reeleição e deve sair do cargo no próximo dia 6 de maio.

Todo o caos na empresa teve início com a queda de 58,5% no lucro contábil do quarto trimestre, que fechou em R$ 13,9 milhões. Segundo a companhia, esse desempenho ocorreu por causa da elevação das despesas administrativas, provisão para perdas em recebíveis, assim como pelo crescimento de cancelamentos de apólices. Apesar da queda do lucro, a receita da empresa subiu 12,9% no período e ficou em R$ 257,8 milhões.

"Os números referentes ao quatro trimestre foram tão mais fracos que nossas expectativas e as do consenso que o atual modelo de negócios foi colocado em xeque pelo mercado", afirmam os analistas do Safra, justificando sua visão pessimista para o futuro da empresa. A XP também ressalta a série de ajustes (despesas administrativas, provisões e cancelamento de comissões) que convergiram para o resultado trimestral fraco e "em uma magnitude/evolução que, até então, não eram esperadas pelo mercado".

Alta recente não muda cenário
Nesta terça-feira (8), as ações da BR Insurance fecharam com alta de 37,93%, precificadas em R$ 8,40. Mesmo assim, elas nem de longe estão perto de recuperar as perdas acumuladas nos últimos dias. Apenas para se ter uma noção: ela precisa subir ainda mais 36% para voltar aos níveis do fechamento do 1º dia pós-resultado; para voltar aos preços de antes da divulgação do balanço, elas precisam avançar 92,1%.

 

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