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Após disparada de 9,5% com 2 boas notícias, Itaú BBA vê "exagero" do mercado com BRF e recomenda cautela

Em uma sessão de otimismo no mercado brasileiro, os papéis da companhia foram o grande destaque positivo na carteira teórica do índice

BRF
(Divulgação)

SÃO PAULO - Imersa em um conflito societário de grandes proporções, a BRF (BRFS3) viu suas ações dispararem na Bolsa no pregão da última quarta-feira (18), com mais um episódio envolvendo o impasse entre o empresário Abilio Diniz e os fundos de pensão Petros e Previ. Em uma sessão de otimismo no mercado brasileiro, com o Ibovespa fechando em alta de 2,01%, os papéis da companhia subiram 9,51%, encerrando o dia precificados em R$ 23,04 e liderando os ganhos na carteira teórica do índice. No radar dos investidores, duas notícias acabaram fazendo preço sobre as ações.

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A primeira é que presidente da Petrobras, Pedro Parente, substituirá Abilio Diniz no comando do conselho de administração da BRF, dona de Sadia e Perdigão. Após notícias do jornal Folha de S. Paulo e Valor Econômico, o executivo confirmou nessa quarta-feira que aceitou o convite, feito pelos principais sócios. Com isso, abriu-se caminho para um acordo entre os maiores acionistas da BRF, que estavam em disputa aberta pelo comando da empresa de alimentos há dois meses. Parente vai continuar na presidência da estatal após a eleição para comandar o colegiado da BRF.

Ele é visto como o nome de consenso para comandar o conselho da empresa em crise, a partir da assembleia de acionistas, em 26 de abril. As expectativas são de que Parente confira credibilidade à BRF e use de sua experiência no mundo corporativo para virar a página da disputa entre os acionistas da companhia. Pelos planos, o CEO José Aurélio Drummond deverá ser mantido no cargo. 

Além disso, antes que a União Europeia (UE) anuncie sua decisão sobre a importação de carne de aves do Brasil, principalmente em relação à produção da BRF, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento derrubou, na noite de terça-feira, o autoembargo que havia imposto a unidades produtoras desde a Operação Trapaça, deflagrada em março passado. Um despacho da Pasta atesta o retorno da produção e certificação sanitária das fábricas de Concórdia (SC), Dourados (MS), Serafina Corrêa (RS), Chapecó (SC), Várzea Grande, Ponta Grossa, Rio Verde (GO), Marau (RS) e da SHB Comércio e Indústria de Alimentos, em Francisco Beltrão (PR). 

As duas notícias provocaram uma forte valorização dos papéis da BRF na B3 na sessão da última quarta-feira. Apesar do movimento eufórico com o noticiário favorável, a equipe de análise do Itaú BBA ponderou que, em nenhum dos dois casos, há motivos para muito otimismo. Se, por um lado, os analistas veem como positiva a possibilidade de normalização mais célere no conflito interno da companhia com a possível nomeação de Pedro Parente para a presidência do conselho, por outro, eles consideraram exagerado o otimismo do mercado com as notícias vindas do Ministério da Agricultura.

"Nosso cenário base é que as autoridades europeias confirmarão amanhã a restrição de importações de todas as 12 plantas da BRF licenciadas para exportar à região, apesar da recente movimentação do MAPA para reabrir plantas autoembargadas. Neste caso, as operações da BRF em 2018 continuarão sob pressão", observam os analistas do Itaú BBA. Eles lembram que, caso o caminho para a reabertura passe pela OMC (Organização Mundial do Comércio), o processo será mais longo que anteriormente esperado.

Em nota a clientes, os analistas reiteraram avaliação de riscos nos papéis BRFS3 e não recomendaram compra a despeito das notícias positivas para a companhia. "Apesar do potencial de boas notícias no radar, o desafio de melhorar a lucratividade ainda parece grande, considerando os fortes ventos contrários nos mercados externos, acompanhando a Operação Trapaça", observaram.

Mesmo com a forte alta da última quarta-feira, as ações da BRF acumulam queda de 37,05% desde que o ano começou. Neste período, o Ibovespa já subiu 12,27%.

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