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A disputa judicial bilionária que está abrindo ainda mais o gap entre as ações de Bradespar e Vale

Desconto saltou para 29%, mas mercado pode estar exagerando neste movimento de queda

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(Bradespar)

SÃO PAULO - Com todo seu capital aplicado na Vale (VALE3), onde detém 6,4% do capital social, as receitas da Bradespar (BRAP4) são originadas do resultado de equivalência patrimonial e dos proventos pagos pela mineradora, mas engana-se quem pensa que o desempenho das ações da holding é "apenas" um reflexo da Vale - e esta segunda-feira (7) está aí para comprovar esse tese.

Até a quarta-feira (1), no primeiro pregão de maio, o desconto entre o valor de mercado da Vale e Bradespar estava em 26%. Contudo, com a queda de 5% das ações ordinárias e preferenciais da holding, comparada a leve queda de 0,3% dos papéis da Vale, esse desconto subiu para 29% neste pregão, tudo por conta de uma disputa judicial que pode custar bilhões para a holding.

Segundo informações do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, a juíza da 5ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro homologou um laudo pericial que fixa uma indenização de R$ 4 bilhões a ser paga para a Elétron, empresa controlada por Daniel Dantas, por conta de uma pendência judicial envolvendo a compra de 37,5 milhões de ações da Vale pela empresa do grupo Opportunity. A história começou em 2011, quando o CBMA (Centro Brasileiro de Mediação e Arbitragem) definiu que a Elétron teria o direito de comprar essas ações da Valepar, holding que controlava a Vale e que em agosto de 2017 foi incorporada pela mineradora para a entrada no Novo Mercado.

Contudo, através de recursos na Justiça, Bradespar e Litel, que reúne fundos de pensão liderados pela Previ, conseguiram arrastar por sete anos o processo e a empresa de Dantas ficou fora da nova estrutura acionária da Vale, com menos de 1% de participação da mineradora. Agora, com a homologação do laudo pela juíza Maria da Penha Mauro, esse passivo contingente que está nas mãos da Litel e da Bradespar, inclusive discriminado no ITR da holding e classificado como perdas possíveis, poderá ser de fato reconhecido, expectativa negativa que justifica a diferença de desempenho com a mineradora.

Em reposta, a Bradespar comunicou ao mercado que entrará com um novo recurso no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro justamente contra o laudo pericial homologado pela 5ª Vara Empresarial. Segundo a empresa, o laudo pericial "contém uma série de incorreções apontadas nos trabalhos de renomados assistentes técnicos e em pareceres jurídicos fornecidos ao juízo da causa".

Mercado exagerou?

Como a própria Bradespar informou, a holding vai recorrer da decisão e apostando nesse imbróglio judicial que os analistas do Itaú BBA acreditam que uma queda exagerada pode ser vista como uma oportunidade de compra para os papéis.

Segundo o banco de investimento, Litel e Bradespar podem recorrer até ao STJ (Supremo Tribunal de Justiça) e, segundo seus cálculos, o valor atualizado da compensação (que considera o aumento do preço da ação e os proventos recebidos desde 2007) pode chegar em até R$ 2 bilhões, ou seja, metade do valor estipulado pela matéria do O Globo. Sendo assim, como Litel e Bradespar terão que dividir a conta, a holding pagaria R$ 1 bilhão, ou seja, 8% do seu valor de mercado.

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