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Trimestre do Bradesco "não é brilhante"; Next e Bia estão entre os focos de 2019

Qualidade dos números fica aquém das expectativas, apesar de métricas acima do previsto; banco investirá R$ 6 milhões em tecnologia neste ano  

bradesco banco
(Shutterstock)

SÃO PAULO – O Bradesco estreou nesta quarta-feira (24) a temporada de divulgação de resultados dentre os bancos brasileiros. Favorito no setor por muitas casas de análise, o banco apresentou números considerados mornos e de “qualidade fraca” nos primeiros três meses do ano, na opinião de especialistas.

A ação da empresa via queda na Bolsa após a divulgação dos números. Às 12h20, os papéis caíam 1,23%, ante alta de 0,81% do Ibovespa.

Para analistas do Morgan Stanley, a qualidade dos resultados foi “muito pobre”. O banco calcula que, excluindo recuperações extraordinariamente fortes em crédito, a receita operacional caiu 17% na comparação com o trimestre anterior.

André Martins, da XP Investimentos, destaca que o primeiro trimestre do Bradesco “não foi brilhante, impactado pelo cenário macroeconômico”. Apesar disso, ainda vê o banco “à frente dos pares e pronto para se beneficiar do ciclo de crédito e da recuperação da economia”.

O resultado do primeiro trimestre foi motivado, conforme destaca o Bradesco, pelo desempenho operacional com melhores margens financeiras com clientes, menores gastos com provisões (PDD) e linhas de seguros e receitas com serviços. Por outro lado, o banco lembra que os primeiros indicadores de atividade econômica de 2019 apresentaram resultados menores que o esperado.

O grande destaque positivo ficou com o aumento na carteira de crédito em 12,7% em relação ao primeiro trimestre de 2018 e de 3,1% em relação ao fim de dezembro. O negativo ficou com as despesas operacionais totais, que cresceram 5,7% no trimestre.

Bia e Next entre os focos

Em conferência para comentar os resultados, o Bradesco mencionou a tecnologia como um grande foco do banco ao longo de 2019. De acordo com a diretoria do banco, está previsto um investimento de R$ 6 bilhões nesta frente até o final do ano, sendo R$ 2 bilhões em inovação.

As maiores iniciativas digitais do banco são a assistente virtual Bia, que bateu 100 milhões de interações recentemente e reduz custos no atendimento ao cliente, e o banco digital Next.

De acordo com Octavio de Lazari, CEO do banco, o Next tem aberto entre 7 mil e 8 mil contas por dia atualmente, e o banco tem um compromisso de somar 1,5 milhão de clientes até o final deste ano. “Daremos cada vez mais independência ao Next para competir entre as fintechs”, disse o executivo na teleconferência. Ele afirma, ainda, que 77% dos clientes do banco digital não vieram do Bradesco – ou seja, a fintech não estaria canibalizando a base do banco tradicional – e que quase 40% dos clientes da fintech já têm crédito pré-aprovado.

Diversificação

O banco confia em um posicionamento positivo no mercado para trazer bons resultados apesar da incerteza econômica. Segundo Lazari, “diversidade na fonte dos resultados nos dá equilíbrio ao longo dos ciclos e diferentes cenários”. Ele lembra que Crédito, serviços e seguros representam 30% cada um dos resultados do banco. “Nossa operação é a mais diversificada regionalmente entre os bancos privados e nossas linhas se complementam e geram inúmeras oportunidades de negócios para o banco”, aponta.

A empresa acredita, porém, que a reforma da Previdência e a melhora nas condições econômicas são fundamentais. "A aprovação da proposta da Nova Previdência nos próximos meses constitui condição fundamental para reequilíbrio das contas públicas no médio prazo, com importante impacto na confiança dos agentes econômicos e, consequentemente, retorno de investimentos privados", diz o relatório de resultados.

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