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Xiaomi investirá em mais startups para reforçar entrada no setor de casas inteligentes

Entre os investimentos haverá aparelhos e hardware que complementarão os dispositivos da Xiaomi já existentes

XiaomiChina

A Xiaomi Corp. investirá em “muito mais” startups neste ano, disse o presidente Bin Lin. A fabricante chinesa de smartphones está procurando software e serviços para aproveitar o florescente negócio das casas inteligentes.

Entre os investimentos haverá aparelhos e hardware que complementarão os dispositivos da Xiaomi já existentes, disse Lin em uma entrevista na sede da empresa em Pequim. A Xiaomi adquiriu participações acionárias em mais de 20 startups nos últimos 18 meses, disse Lin, e a empresa lançou produtos, entre eles purificadores de ar e lâmpadas, que podem ser controladas com smartphones.

“Visamos investir mais neste ano, talvez muito mais no ano que vem”, disse Lin. “Esta é uma estratégia que continuará”.

A Xiaomi é a terceira maior vendedora de smartphones do mundo e, com US$ 45 bilhões, a startup de tecnologia com o maior valor de mercado. Ontem, o CEO Lei Jun apresentou os maiores e mais caros smartphones da Xiaomi. A empresa está passando para o setor mais exclusivo do mercado a fim de desafiar a Samsung Electronics Corp. e a Apple Inc.

A Xiaomi dobrou sua receita, para US$ 12 bilhões no ano passado e mais do que triplicou os envios de smartphones, para 61,1 milhões de unidades, e está a caminho de se transformar na maior vendedora de smartphones na China. Lei diz que o crescimento acelerado ainda não acabou e na coletiva de imprensa de ontem em Pequim ele voltou a afirmar que a Xiaomi pode ultrapassar a Samsung e a Apple em vendas dentro de uma década.

Investimentos em startups
Ontem, a empresa apresentou o modelo Mi Note, de 14,47 centímetros, que será lançado no dia 27 de janeiro por 2.299 yuans (US$ 370). Um segundo dispositivo, o Mi Note Pro, sairá à venda mais tarde por 3.299 yuans.

No mês passado, a empresa completou uma rodada de financiamento de US$ 1,1 bilhão entre cujos participantes estiveram a DST, do investidor bilionário Yuri Milner, a GIC Pte de Cingapura e a All-Stars Investment Ltd. Assim, a avaliação da companhia ficou em US$ 45 bilhões.

“Nós mesmos na Xiaomi estamos colocando o foco em três áreas principais de produtos: smartphones, televisores e roteadores”, disse Lin na entrevista. “Os aparelhos e o hardware para casas inteligentes são construídos pelas empresas em que investimos”.

No dia 1º de dezembro, a Xiaomi participou de um investimento de US$ 296 milhões na fornecedora de serviços de centros de dados da internet 21Vianet Group Inc. Menos de uma semana depois, a Xiaomi anunciou seu primeiro investimento nos EUA com uma contribuição para os US$ 40 milhões de financiamento da Misfit Wearables Corp., fabricante de produtos como o monitor de atividade física e de sono Shine.

Mais patentes
O mercado de aplicativos conectados à internet crescerá até alcançar US$ 7,1 trilhões em 2020, frente a US$ 1,9 trilhão em 2013, segundo a International Data Corp. A Xiaomi redobrará seus esforços para entrar no negócio impulsionando sua propriedade intelectual, disse Lin.

“Nos próximos anos, você vai ver que conseguiremos muitas patentes”, disse ele. “Muitas dessas patentes serão em áreas como aparelhos para casas inteligentes, smartphones, hardware inteligente – áreas de crescimento veloz que, segundo acreditamos, serão o futuro do setor”.

A Xiaomi sofreu um revés em dezembro na Índia, seu maior mercado fora da China, quando a Ericsson AB obteve um parecer favorável de um tribunal que bloqueou a importação e a venda de alguns dispositivos da companhia que estariam infringindo patentes de tecnologia de telefonia celular. Depois, o tribunal da Índia suspendeu parcialmente a proibição de vendas de dispositivos da Xiaomi que utilizam chips da Qualcomm Inc.

A suspensão abrange quase todos os negócios da Xiaomi na Índia, já que o uso de outros processadores é “quase nulo”, disse Lin. A empresa não prevê que esses problemas desacelerem sua campanha de expansão no exterior.

“Temos toda a certeza de que conseguiremos resolver este problema e de que os nossos negócios internacionais poderão continuar avançando conforme planejamos”, disse Lin.

A Xiaomi disse em novembro que planeja entrar na Tailândia, na Rússia, no México, no Brasil e na Turquia neste ano.

 

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