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Salvação dos shoppings começa a devorar a si mesma

Com a intensificação da concorrência de empresas como Amazon e Asos, os proprietários de shoppings britânicos recorreram à comida como um modo de conservar sua relevância

Shopping center
(Shutterstock)

A rede de restaurantes de Stephen Wall, Pho, é o tipo de inquilino que os proprietários de shopping centers adorariam atrair. O cardápio vietnamita está na moda, o negócio está se expandindo e, melhor ainda, a rede tem um histórico de sucesso em shoppings.

No entanto, ele acha que nem mesmo restaurantes como o dele conseguirão salvar os shoppings, que sofrem com a ascensão do varejo na internet e do vício em celulares.

“A comida não é a solução para a maioria dos proprietários. A saturação ocorreu porque uma quantidade excessiva de restaurantes está sendo colocada nos shoppings”, disse Wall, que fundou a rede do Reino Unido com a esposa, Jules, em 2005. “Os operadores estão ficando cautelosos.”

Com a intensificação da concorrência de empresas como Amazon e Asos, os proprietários de shoppings britânicos recorreram à comida como um modo de conservar sua relevância. As pessoas iam aos restaurantes para comer, compravam algumas roupas nas lojas enquanto estavam por lá, e os gastos adicionais possibilitavam que os proprietários aumentassem os aluguéis. Um círculo simples e virtuoso.

Em vez disso, os operadores de alimentos e bebidas foram prejudicados nos últimos 12 meses por uma combinação de expansão rápida e desaceleração nos gastos dos consumidores. Um fluxo de investimento de private equity em restaurantes levou algumas redes a abrirem muitos estabelecimentos que não estão tendo rentabilidade. Nomes famosos como Gourmet Burger Kitchen, o lugar de massas Carluccio’s e a rede Jamie Oliver - frequentemente encontrados em grandes shoppings como Westfield e Bluewater em Londres ou no Trafford Centre de Manchester - estão entre os prejudicados. Em todo o país, o número de restaurantes que se tornaram insolventes aumentou 24 por cento no ano passado, em comparação com 2017.

Uma combinação de maior concorrência, aumento dos custos dos alimentos por causa da fraqueza da libra após o referendo do Brexit e um imposto do governo sobre a contratação de aprendizes prejudicou os operadores. Muitas das marcas também são muito parecidas, e os consumidores só conseguem diferenciá-las pelo preço, de acordo com James Child, analista de varejo da EG.

Um dos principais problemas é que os shoppings estão competindo por restaurantes contra regiões centrais, que oferecem muito mais atrações. No West End de Londres, os estabelecimentos alimentam pessoas que estão naquela região por causa do trabalho, do teatro, das compras ou que simplesmente estão perambulando, disse Brian Bickell, CEO da Shaftesbury, que recentemente alugou um antigo centro de varejo no bairro Covent Garden como área de alimentação.

Os shoppings, por outro lado, oferecem uma capacidade muito maior do que a demanda, segundo Ewan Venters, CEO da Fortnum & Mason, varejista de alto nível que abriu recentemente uma área para refeições no Royal Exchange, um pequeno shopping de luxo em frente ao Banco da Inglaterra.

“A coisa toda da economia da experiência chegou. Você não está apenas tentando vender para as pessoas. Você está tentando entretê-las”, disse Venters. “Tudo aconteceu muito rapidamente nos shoppings e, de repente, havia excesso de capacidade e não tinha gente suficiente para tomar café da manhã, almoçar e jantar nesses lugares enormes. Não me surpreende que eles estejam recuando agora.”

 

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