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As Forças Armadas estão no limite e precisam de mais recursos, diz ministro da Defesa

 "A gente precisa de medidas especiais para a defesa. É um ônus que a nação paga pela sua soberania", afirma Raul Jungmann

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

Raul Jungmann
(Bloomberg)

(Bloomberg) -- As Forças Armadas precisam de mais recursos para continuar operações contra o crime organizado que são necessárias na preservação da democracia no Brasil, disse o ministro da Defesa, Raul Jungmann.

"As Forças Armadas estão no limite, então é preciso oxigênio", disse Jungmann, em entrevista à Bloomberg em seu gabinete com vista para Esplanada dos Ministérios, em Brasília. "A gente precisa de medidas especiais para a defesa. É um ônus que a nação paga pela sua soberania"
Jungmann disse esperar que a equipe econômica descontingencie recursos após os cortes anunciados no orçamento da Defesa para investimento em 2017, em meio à contenção generalizada de gastos do governo federal. O valor do orçamento da Defesa para investimento previsto era de R$ 15 bilhões, e o contingenciamento foi de R$ 9,6 bilhões, segundo o ministro. Ele deve se reunir em breve com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para pedir um regime especial para a pasta
Em meio ao aumento da violência no país, o Exército vem participando de mobilizações das forças de segurança contra o crime organizado. As ações mais recentes têm se concentrado no Rio de Janeiro, onde, no início deste mês, cerca de 5.000 militares e policiais atuaram numa ação coordenada contra facções envolvidas em narcotráfico e roubo de cargas. O protagonismo do crime organizado, conjugado a uma grave crise fiscal que afeta o funcionamento de hospitais e universidades e atrasa pagamento de servidores, gera temores de contaminação do ambiente eleitoral em 2018
Para Jungmann, as operações de segurança precisam reverter uma espiral de violência e insegurança que ameaça o próprio funcionamento da democracia. "Quando o crime alcança determinados patamares, como no México, isso se transforma num problema para a democracia porque garantias e direitos constitucionais começam a ser violados", disse. Ele cita como exemplos as comunidades do Rio controladas por criminosos que impedem cidadãos de votarem livremente. Jungmann também menciona o caso do Maranhão, onde facções criminosas tentaram impedir a realização da eleição municipal no ano passado
Altos níveis de violência favorecem a propagação de ideias radicais, como a pena de morte, e de discursos populistas que tentam iludir a população com falsas soluções, disse Jungmann, numa aparente alusão ao deputado federal Jair Bolsonorao (RJ), um oficial da reserva que pretende concorrer à presidência em 2018 com uma plataforma de combate linha dura ao crime
"É bom que as operações tenham resultado até 2018 porque a insegurança e o crime destroem a sociabilidade e têm efeito regressivo sobre o nível civilizacional e humanitário de uma sociedade", disse Jungmann
Mas o ministro, que é deputado licenciado e já foi ministro do Desenvolvimento Agrário, afirma que a abordagem repressiva não basta para pôr fim ao problema da segurança pública. "Um Rio de Janeiro em crise fiscal, sem conseguir pagar salários nem adicionais das forças de segurança, sem infraestrutura e sem melhoria de saúde, favorece uma situação de anomia e desesperança", disse
Jungmann elogia a decisão de praticamente dobrar o volume de Bolsa Família no Rio de Janeiro, uma medida, que, segundo ele, ajuda a amparar as famílias pobres, as mais vulneráveis à crise. Para o ministro, não há solução de longo prazo se não forem mudadas as "condições para que o crime floresça" 

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