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Vanguarda busca acordo para adiar pagamento de parcela de dívida

Empresa espera adiar por um ano pagamento de uma parcela de US$ 15 bilhões que tem com bancos credores

Soja - Bloomberg
(Dhiraj Singh/Bloomberg)

(Bloomberg) -- A Vanguarda Agro (VAGR3), segunda maior produtora de soja de capital aberto do Brasil, está buscando um acordo para não pagar a primeira parcela da dívida reestruturada de US$ 150 milhões que vence nesta quinta-feira. A empresa sofre com o aumento dos custos de produção e o aperto no crédito agrícola.

A companhia está em negociações avançadas com um grupo de bancos, incluindo o Itaú BBA, para adiar por um ano o pagamento de uma parcela de US$ 15 milhões. O objetivo é liberar caixa para a compra antecipada de fertilizantes para o plantio em 2016, segundo o presidente da Vanguarda, Arlindo Moura. A expectativa é de que um acordo seja fechado antes do feriado prolongado.

A dívida líquida da empresa aumentou 31 por cento ao longo do ano encerrado no terceiro trimestre, para R$ 963,8 milhões (US$ 249,4 milhões), impulsionada pela depreciação do real. Quase 90 por cento do endividamento da Vanguarda está denominado em dólares.

“Os bancos têm sido compreensivos em relação às dificuldades enfrentadas neste ano”, afirmou Moura, que assumiu como CEO da Vanguarda em 2013 após ter trabalhado na Deere & Co. e na rival SLC Agrícola.

Redução no plantio

A posição de caixa da Vanguarda vai melhorar nos próximos meses, com a comercialização das safras de soja e algodão, segundo Moura. Isso permitirá que a Vanguarda pague a próxima parcela da dívida em junho de 2016, disse ele.

A Vanguarda deve começar a colher a safra 2015-16 de soja ainda nesta semana. Após devolver terras de arrendamento consideradas pouco produtivas, a empresa prevê reduzir a área total de plantio com soja, milho, algodão e girassol para 200,6 mil hectares nesta temporada, ante 248,2 mil hectares na safra anterior.

As ações da Vanguarda caíram 73 por cento neste ano e nunca valeram tão pouco. Entre os principais acionistas da empresa está a Gávea Investimentos, a gestora de fundos que o ex- presidente do Banco Central Armínio Fraga ajudou a fundar.

A dívida da empresa foi reestruturada em abril.

 

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