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Miami aposta em turismo nas alturas e financia torre de US$ 430 milhões

Com forma de grampo de cabelo, a torre de 300 metros deve conquistar os caçadores de emoções que poderão fazer bungee jumping em direção à água turquesa que está abaixo

MiamiTorre

SÃO PAULO - As cidades norte-americanas estão iniciando uma corrida arquitetônica em direção ao céu, com uma super-roda-gigante, uma torre de observação de 100 andares e talvez até mesmo uma enorme bola de golfe instalada sobre um suporte de 90 metros no deserto do Arizona.

De Phoenix a Camden, em Nova Jersey, as autoridades municipais e as construtoras estão buscando pontilhar seus horizontes com pontos de exclamação, buscando a atenção mundial com a próxima Torre Eiffel ou London Eye.

Para Miami, o impulso para o alto é uma torre de 300 metros em forma de grampo de cabelo, de onde caçadores de emoções amarrados podem fazer bungee jumping, mergulhando em direção à água turquesa que está abaixo.

“Eu posso citar um punhado de ícones arquitetônicos de todo o mundo e você identificaria a cidade em um piscar de olhos”, disse Jeff Berkowitz, cuja empresa Berkowitz Development Group construirá a SkyRise, a torre de Miami com inauguração programada para 2018. “Miami está próxima de se tornar uma cidade de classe mundial e uma das metas é ter uma estrutura icônica”.

As cidades estão olhando para cima enquanto os bairros tiram proveito da recuperação econômica, do aumento dos valores dos imóveis e de um afluxo de moradores. Isso levou à defesa de atrações no centro, algumas delas impulsionadas por concessões de terras ou pelo dinheiro dos contribuintes.

“O interesse em morar e trabalhar nas cidades está crescendo, por isso investimentos como esse são um sinal de uma enorme confiança”, disse David Dixon, que lidera uma equipe de planejamento urbano da Stantec Inc., uma empresa de arquitetura e engenharia, em Boston. “É um sinal da confiança que migrou dos subúrbios para as cidades”.

Miami aprovou US$ 9 milhões em subsídios dos contribuintes para a SkyRise, que apresentará uma experiência de salto semelhante a um “mergulho do céu”, uma discoteca e outras atrações. Camden, que fica do lado oposto do rio Delaware em relação à Filadélfia, aprovou no ano passado uma torre de 90 metros a ser construída em frente ao rio, dando a chance de os turistas apreciarem a vista urbana, como forma de combater anos de deterioramento.

Outros estão buscando novidades. Veja a corrida para construir rodas-gigantes, como a Orlando Eye, de 120 metros, que será a maior da Flórida quando terminar neste ano.

A New York Wheel será a maior roda-gigante do mundo quando for inaugurada em Staten Island, em 2017. Terá uma altura de cerca de 60 andares, tirando a coroa da roda de 167 metros de altura inaugurada no casino Caesars Entertainment Corp., em Las Vegas, no ano passado. Mas o reinado de Nova York terá vida curta: uma roda-gigante de 210 metros foi aprovada em Dubai. Alguns monumentos provaram ser atrações turísticas de sucesso.

A roda-gigante London Eye, que serve como ponto de observação, se transformou na atração turística mais visitada do Reino Unido a cobrar entrada após sua inauguração, em 2000, e agora atrai 3,5 milhões de visitantes por ano. O Obelisco Espacial de Seattle e o Gateway Arch, de St. Louis, ambos construídos nos anos 1960, ainda são os lugares mais visitados dessas cidades.

O estado de Nova York e seus governos locais prometeram mais de US$ 50 milhões para melhorias relacionadas à New York Wheel, na orla de Staten Island. As construtoras dizem que a roda-gigante atrairá mais de 4 milhões de visitantes por ano, enquanto as autoridades da cidade têm apoiado o empreendimento como uma forma de revitalizar Staten Island, às vezes ridicularizado como o bairro esquecido de Nova York e o menos populoso.

Berkowitz estimou que 3,2 milhões de pessoas visitarão o SkyRise por ano, vindas do terminal de cruzeiros das proximidades e de países como a Colômbia e o Brasil. Ele disse que está colocando US$ 30 milhões de seu próprio dinheiro no projeto. “Esse empreendimento se tornará a principal atração turística de Miami”, disse ele.

Alguns parlamentares questionam seu julgamento. Receber tantos clientes pagantes quanto espera Berkowitz é irreal para Miami, que atrai menos da metade dos turistas de lugares como Nova York e Londres, disse Xavier Suárez, uma autoridade do condado. A área de Miami teve cerca de 14,2 milhões de visitantes em 2013, contra mais de 54 milhões em Nova York, segundo as agências de turismo das cidades.

“Eu simplesmente não vejo isso acontecendo”, disse Suárez, uma das três autoridades do painel de 12 membros que votou contra o financiamento pelos contribuintes. “Esse projeto realmente parece uma monstruosidade que dominará o centro de Miami. Eu comecei a me referir a isso como um cortador de unha invertido”.

 

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