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Mesmo com separação da Ferrari, Fiat espera atingir níveis da indústria de luxo

Empresas de produtos de luxo como a Prada e a Hermès International são negociadas em mais de 20 vezes os lucros, enquanto as fabricantes de automóveis geralmente obtêm menos de metade disso

Fiat_Marchionne

SÃO PAULO - Com a separação da Ferrari, no final deste ano, a Fiat Chrysler Automobiles quer que os investidores enxerguem a empresa como mais que uma simples fabricante de carros. 

“A Ferrari tem todos os elementos para ser considerada uma fabricante de produtos de luxo”, disse o CEO Sergio Marchionne hoje no Salão do Automóvel de Detroit. “O que devemos fazer ao listar é desenvolver inteiramente essa percepção”.

Empresas de produtos de luxo como a Prada e a Hermès International são negociadas em mais de 20 vezes os lucros, enquanto as fabricantes de automóveis geralmente obtêm menos de metade disso. Tirar o máximo da listagem da Ferrari é fundamental para os planos de Marchionne de financiar o plano de investimento de 48 bilhões de euros (US$ 57 bilhões) elaborado para aumentar as vendas em 6%, para 7 milhões de carros, até 2018.

A Fiat Chrysler planeja dividir a fabricante do supercarro LaFerrari, avaliado em 1 milhão de euros, até o fim deste ano. A venda de uma participação de 10% no primeiro semestre é parte de um plano para levantar US$ 5 bilhões.

As ações da fabricante de automóveis com sede em Londres subiram 47% desde a fusão da Fiat com sua unidade americana Chrysler em outubro, avaliando a empresa em 13,3 bilhões de euros.

Os analistas levantaram dúvidas a respeito das perspectivas de a unidade com sede em Maranello, Itália, ser classificada como uma empresa de produtos de luxo por causa dos altos custos de desenvolvimento e fabricação de veículos de alta performance na comparação com a fabricação de bolsas elegantes. O Credit Suisse estimou que o valor de mercado da Ferrari é de 5,8 bilhões euros e o BNP Paribas disse que a empresa poderia ser avaliada em até 10 bilhões de euros.

Ao mesmo tempo, uma fabricante Ferrari pura tem mais potencial e “tecnicamente” poderia ampliar a produção dos atuais 7.000 carros para 10.000 veículos daqui a um ano, disse Marchionne hoje. Contudo, a Ferrari sempre manterá a produção abaixo da demanda para preservar a exclusividade, disse ele.

A Ferrari foi apontada como a marca “mais poderosa” do mundo no ano passado pela empresa de consultoria Brand Finance, superando até mesmo a Apple. Esse tipo de imagem ajudará a Ferrari a sobreviver como uma fabricante de automóveis independente, mesmo na indústria automotiva, onde a maior parte das marcas de luxo buscou abrigo em grupos maiores, como é o caso do controle da Volkswagen sobre a Bentley e a Lamborghini.

“A Ferrari é muito forte e conseguirá seguir seu caminho mesmo sozinha”, disse Dieter Zetsche, CEO da Daimler AG, empresa-mãe da Mercedes-Benz. “A separação da FCA não prejudicará o futuro” da Ferrari.

Após listar 10% da Ferrari nos EUA, a Fiat Chrysler distribuirá seus 80% restantes na Ferrari entre seus próprios acionistas. O vice-presidente do conselho da Ferrari, Piero Ferrari, possui os outros 10% da empresa. Juntamente com a listagem, a Ferrari venderá bonds, disse Marchionne, que é também presidente do conselho da Ferrari.

 

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