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Elon Musk inaugura obras da primeira planta da Tesla na China e anuncia modelo inédito

A Tesla assinou um acordo preliminar com o governo de Xangai no ano passado para construir a planta de 500.000 unidades na cidade chinesa

Elon Musk
(Nicholas Kamm/AFP)

Após quatro anos de planejamento, a Tesla finalmente inaugurou as obras do projeto de uma fábrica de US$ 5 bilhões no maior mercado automotivo do mundo. No entanto, o momento escolhido não poderia ser menos propício.

O CEO Elon Musk e autoridades de Xangai, entre elas o prefeito Ying Yong, participaram nesta segunda-feira de uma cerimônia em um terreno perto da cidade para iniciar a construção da que seria a primeira planta de automóveis fora dos EUA da fabricante de veículos elétricos. O início das obras marca um novo capítulo para a Tesla, mas chega em um momento em que a economia da China está mostrando sinais de estresse em meio à guerra comercial com os EUA.

Na China, o empreendedor bilionário enfrenta um mercado de carros que provavelmente encolheu pela primeira vez em pelo menos duas décadas no ano passado, devido a incertezas em torno da disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo, sinais de enfraquecimento da demanda doméstica e uma queda do mercado acionário que estão afetando os consumidores. O ambiente desafiador também inclui a concorrência de várias startups que querem ser como a Tesla.

A Tesla pretende terminar a etapa inicial de construção da planta no terceiro trimestre e começar a produção do Model 3 até o fim do ano, tuitou Musk. A planta, atualmente apenas uma extensão de terrenos lamacentos a cerca de duas horas de Xangai, produzirá versões acessíveis do Model 3 e do Model Y para a região da Grande China, disse Musk durante a visita, em um dia frio e chuvoso.

Fábrica fundamental

A planta da China é o resultado de anos de negociações com as autoridades locais e marca uma espécie de triunfo pessoal de Musk depois de um 2018 tumultuado. A Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês) puniu a Tesla no ano passado, depois do infame tuíte de Musk sobre “financiamento garantido", com multas e um acordo que exigiu reformas na governança corporativa. A planta também chega em um momento em que a Tesla está conseguindo aumentar a produção de sedãs Modelo 3, o que marca o início de uma virada no sentimento do mercado.

Uma fábrica chinesa local pode ser crucial para a Tesla, que está tendo dificuldades para evitar uma possível queda da demanda nos EUA, seu maior mercado, após a redução dos créditos fiscais federais para veículos elétricos. A empresa reduziu o preço de todos os seus modelos em US$ 2.000 para compensar parcialmente a perda do subsídio.

Uma planta totalmente própria também significaria que a Tesla não precisará compartilhar lucros nem tecnologia com parceiros chineses, ao contrário de outras montadoras estrangeiras que são obrigadas a formar uma joint venture local.

“Carros acessíveis devem ser fabricados no mesmo continente dos clientes”, escreveu Musk em outro tuíte.

A Tesla assinou um acordo preliminar com o governo de Xangai no ano passado para construir a planta de 500.000 unidades na cidade chinesa. Em outubro, a empresa afirmou que pagou cerca de US$ 140 milhões para conseguir mais de 80 hectares de terra para a Gigafábrica 3 planejada.

A planta deve produzir cerca de 250.000 veículos por ano na primeira fase e essa capacidade dobrará com o tempo, anunciou o governo de Xangai em comunicado nesta segunda-feira. A Tesla afirmou que planeja usar principalmente dívida local para financiar a planta. 

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