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Philip Morris não consegue largar vício de Fórmula 1 depois de 20 anos com a Ferrari

Marcas de cigarro não podem aparecer nos carros do esporte, mas dá-se um jeito

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(Bloomberg) – A Philip Morris International Inc. dará continuidade a um dos patrocínios mais discretos do esporte.

A maior empresa de tabaco de capital aberto renovou seu apoio à equipe de Fórmula 1 da Ferrari por mais três anos, embora as leis de propaganda impliquem que a companhia não tenha exibido sua marca de cigarros Marlboro em uma corrida desde 2007, disse o gerente da equipe, Maurizio Arrivabene.

No passado, as fabricantes de cigarros eram importantes patrocinadoras do esporte, e três empresas gastaram mais de US$ 750 milhões na competição automotiva mais popular do mundo em 2001, antes que as normas proibissem as propagandas nos carros. Embora as marcas de cigarros não possam aparecer nos carros de corrida, os veículos da Ferrari têm um quadrado vermelho e branco que se parece a um maço de cigarro da Marlboro.

“As sinergias são tácitas e não são promovidas, mas elas existem”, disse Mark Jenkins, professor de Estratégia de Negócios da Cranfield University, no Reino Unido, que escreveu um estudo de caso sobre a equipe em 2010.

A relação entre a equipe e o patrocinador é tão íntima que, em 1996, a Ferrari mudou a cor dos seus carros de corrida de vermelho alaranjado para vermelho-sangue a fim de combinar com a Marlboro, disse Jenkins.

A Philip Morris, a única fabricante de cigarros que conserva um vínculo com a Fórmula 1, prolongou a parceria até 2018 em uma reunião do conselho realizada há mais de um ano sem anunciá-la publicamente, disse Arrivabene em uma entrevista.

Sem alarde

A empresa com sede em Nova York, que promove o vínculo em algumas lojas duty-free de aeroportos e nas ruas de Mônaco, não faz muito alarde do patrocínio para não provocar os lobistas antitabaco, segundo Jenkins. A próxima corrida – o Grande Prêmio de Mônaco – será no dia 24 de maio.

Em um e-mail, a Philip Morris confirmou que prolongou a relação para além de 2015, sem dar detalhes financeiros. Com o acordo atual, a empresa paga US$ 160 milhões por ano, informou a revista Sports Pro em 2011.

Uma porta-voz da Philip Morris na Suíça disse que a Ferrari cria o esquema de pintura. O acordo permite que consumidores e parceiros comerciais visitem as fábricas da Ferrari e compareçam às corridas, disse ela.

Os vínculos vão além das cores. Sergio Marchionne, CEO da companhia controladora da Ferrari, a Fiat Chrysler Automobiles NV, ganha US$ 320.000 por ano como diretor não executivo da Philip Morris e é dono de US$ 5,2 milhões em ações da companhia, segundo dados da Bloomberg. Ele fuma cigarros Muratti, outra marca da Philip Morris.

Em setembro, a Philip Morris realizou uma reunião do conselho na sede da equipe da Ferrari em Maranello, Itália, segundo o jornal La Repubblica. Arrivabene foi contratado da Philip Morris, onde ele era executivo de marketing, para chefiar a equipe da Ferrari em novembro.

Proibição

A proibição das propagandas de cigarro nos esportes, imposta pela União Europeia, começou a vigorar em 2005. Alguns territórios, como a China e Mônaco, permitiram que a Ferrari usasse a marca Marlboro até 2007.

Mesmo antes da proibição, divulgar o acordo não era do feitio da Philip Morris, disse Arrivabene. Uma extensão anterior do contrato com a Ferrari foi anunciada em um comunicado de imprensa com apenas uma linha de extensão, disse ele.

A Philip Morris abandonou a McLaren, entre cujos pilotos estava Ayrton Senna, para apoiar a Ferrari de Michael Schumacher em 1996. Imagens de arquivo desses pilotos e filmes sobre corridas como “Senna” (2010) e “Rush: No Limite da Emoção” (2013) também relembram aos fãs de corridas a associação entre Marlboro e Fórmula 1, de acordo com Jenkins.

“Só porque a marca foi removida não significa que as pessoas não veem a conexão”, disse Jenkins.

 

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