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Caem subsídios para combustíveis fósseis e renováveis registram aumento

Com o custo global do petróleo reduzido em mais da metade, Fatih Birol disse que a AIE descartou uma projeção segundo a qual os subsídios atingiriam US$ 660 bilhões até 2020

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Países como México, Alemanha e Malásia estão aproveitando cada vez mais o petróleo barato para reduzir os subsídios ao combustível fóssil. Abrem caminho, assim, para o uso de energias renováveis que podem ajudar o meio ambiente, segundo o economista-chefe da Agência Internacional de Energia.

Com o custo global do petróleo reduzido em mais da metade, Fatih Birol disse que a AIE descartou uma projeção segundo a qual os subsídios atingiriam US$ 660 bilhões até 2020. Segundo o relatório mais recente do grupo, as produtoras de combustíveis receberam US$ 548 bilhões em 2013, o que representa um declínio de US$ 26,5 bilhões, primeira queda em quatro anos.

Pelo menos 27 países estão diminuindo ou eliminando subsídios que mantêm baixos os custos dos combustíveis usados para gerar eletricidade, incluindo carvão e gás natural, informou a AIE em novembro. Isso está dando impulso aos esforços globais para limitar a emissão de gases de efeito estufa por meio do aumento do uso de energia limpa.

“Na ausência de subsídios, todas as principais tecnologias de energia renovável seriam competitivas com as plantas movidas a petróleo”, disse Birol.

Considerando que os preços da gasolina estão muitas vezes ligados ao petróleo, os preços mais baixos do petróleo estão possibilitando, até mesmo em países produtores como Irã, Angola e Indonésia, que os políticos reduzam os pagamentos e ao mesmo tempo controlem a indignação dos consumidores, segundo Birol. Eventualmente, isso poderia ajudar a levar os custos da energia renovável, o que inclui energia solar e eólica, a um nível de paridade com os combustíveis fósseis.

“As reformas de preços em países exportadores de energia são um assunto particularmente delicado”, disse Birol por e-mail em resposta às perguntas. “As pessoas muitas vezes se sentem no direito de se beneficiarem diretamente da riqueza proveniente dos recursos de seu país”.

Flutuações de mercado

Embora os preços do petróleo possam ser vistos como um obstáculo à venda de renováveis, os incentivos locais e nacionais, de forma geral, têm isolado o setor de energia limpa das flutuações de mercado. Ao reduzir os subsídios dos combustíveis fósseis, os governos estão dando à energia solar e à energia eólica igualdade de condições, no tocante ao custo, em um momento em que sua popularidade está crescendo em resposta ao aquecimento global.

A redução do apoio aos combustíveis fósseis beneficiará as fontes de baixo carbono, como a solar e a eólica, especialmente em países onde a rede de energia elétrica não está totalmente desenvolvida. Segundo a AIE, no Oriente Médio, por exemplo, um terço de toda a eletricidade é gerada por meio do petróleo subsidiado, absorvendo quase 2 milhões de barris por dia, ou cerca de 7 por cento da produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo.

Os subsídios às energias renováveis subiram US$ 11 bilhões, atingindo um recorde de US$ 96,5 bilhões em 2013, mesmo ano em que se viu os subsídios ao combustível fóssil caírem pela primeira vez em quatro anos, segundo a AIE.

A mudança está causando reflexos em todo o setor. Os países exportadores de petróleo e gás enfrentam uma queda na renda e buracos no orçamento, enquanto os países consumidores contam com um dinheiro extra para investir em um crescimento econômico mais limpo.

A Oil Change International, uma entidade com sede em Washington que defende um uso menor dos combustíveis fósseis, estima que existam “pelo menos US$ 750 bilhões, talvez US$ 1 trilhão” em subsídios anuais ao combustível fóssil, disse Stephen Kretzmann, diretor-executivo da organização, citando cálculos baseados em dados da AIE, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico e nacionais.

Contudo, alguns governos deverão canalizar dinheiro para a produção doméstica como uma forma de proteger os empregos, disse Konstantinos Chalvatzis, professor de Negócios e Mudança Climática da Universidade de East Anglia, na Inglaterra. Ele estima que o Reino Unido cortará impostos das empresas que exploram o Mar do Norte e que estão sofrendo “em grande escala”.

“As empresas realizarão investimentos em combustíveis renováveis mesmo que o petróleo esteja barato”, disse Chalvatzis por telefone. “E uma vez que o preço do petróleo subir, o argumento empresarial a favor dos renováveis se tornará ainda melhor”.

 

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