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Separação da Ferrari deixa Fiat Chrysler pronta para disputar mercado com Toyota

As fabricantes estão sob pressão para unirem forças em meio a um crescimento lento e a custos crescentes para desenvolver carros mais limpos e adicionar funções de direção automatizada e tecnologia estilo smartphone

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SÃO PAULO - Sergio Marchionne, arquiteto do maior acordo da indústria automotiva em mais de uma década, pode ainda não ter terminado. Ao mesmo tempo em que completou a fusão da Fiat SpA e de sua unidade Chrysler, dos EUA, no ano passado, para criar a Fiat Chrysler Automobiles NV, Marchionne disse que o setor ainda está fragmentado e pronto para uma maior consolidação. A separação da Ferrari, planejada para este ano, coloca a fabricante de automóveis avaliada em US$ 14 bilhões em posição de outra combinação que poderia formar um grupo para competir com a número 1 do mundo, a Toyota Motor , ou ajudar a resolver deficiências na Ásia.

As fabricantes estão sob pressão para unirem forças em meio a um crescimento lento e a custos crescentes para desenvolver carros mais limpos e adicionar funções de direção automatizada e tecnologia estilo smartphone. Reduzindo a dívida com o dinheiro levantado ao deixar a Ferrari sair, a Fiat Chrysler se torna uma parceira mais atrativa. A separação também dá a Marchionne mais liberdade para realizar uma transação ao garantir que a família Agnelli, maior acionista da Fiat Chrysler, continuará no controle da fabricante de supercarros Ferrari.

Embora os Agnelli queiram manter a Ferrari, eles provavelmente estejam “abertos a combinações estratégicas que reduzirão ou eliminarão sua participação” na Fiat Chrysler, disse Max Warburton, analista da Sanford C. Bernstein.

A Volkswagen, a Ford Motor e a General Motors se encaixam no critério que Marchionne delineou no ano passado para um sócio adequado, enquanto a Mazda Motor e a Suzuki Motor poderiam ser candidatas viáveis para uma fusão asiática, disseram analistas e investidores.

Ao anunciar a separação da Ferrari, apenas alguns dias depois de concluir a fusão da Fiat-Chrysler, em outubro, Marchionne, um autodeclarado “reparador” corporativo, sinalizou que poderia estar aberto a outro negócio no futuro. Como o CEO de 62 anos planeja permanecer no comando para concluir um plano estratégico que vai até 2018, ele ainda tem tempo para considerar a uma transação.

“Eu sempre tive a visão de que esse setor, no médio para longo prazo, precisa mirar outras oportunidades de consolidação”, disse Marchionne, em novembro, após discursar num evento na pista de teste da Fiat em Balocco, Itália, onde o CEO é conhecido por levar suas próprias Ferraris para passeios a altas velocidades. “Cedo ou tarde isso precisará acontecer”.

Os Agnelli investiram US$ 886 milhões na oferta de bonds conversíveis da Fiat Chrysler para manterem sua participação e não têm planos de vender. Contudo, a família consideraria uma diluição para facilitar a criação de um grupo maior, disse John Elkann, presidente do conselho da fabricante e descendente do fundador da Fiat, Giovanni Agnelli, em entrevista concedida junto com Marchionne, no dia 30 de setembro, em Balocco, nos arredores de Turim.

Um representante da Exor, a empresa holding da família Agnelli, disse ontem que não havia mudanças nessa posição. Um representante da Fiat, que tem sede em Londres, também preferiu não fazer mais comentários.

Marchionne e Elkann disseram na entrevista de 30 de setembro que a Fiat Chrysler agora era suficientemente forte por conta própria e que não precisava de outro negócio. Contudo, eles delinearam um parceiro ideal para a empresa. Seria uma fabricante de veículos internacional, não muito exposta ao mercado europeu e ao mesmo tempo culturalmente compatível com a empresa ítalo-americana. Isso colocaria a Ford no topo da lista de desejos.

Susan Krusel, porta-voz da Ford, que tem sede em Dearborn, Michigan, EUA, disse que a fabricante de veículos avaliada em US$ 57 bilhões não tem “planos ou interesses” que não sejam o de focar em seus atuais planos de negócios. A Ford não está interessada em ser dona da Fiat Chrysler, disse uma fonte familiarizada com o pensamento da empresa.

Outros analistas veem a Volkswagen, com suas raízes europeias e grande operação na China, como um parceiro mais fácil. Mesmo tendo havido uma briga pública entre Marchionne e o presidente do conselho da VW, Ferdinand Piech, a carteira da fabricante de veículos alemã avaliada em US$ 99 bilhões, que vai desde os compactos populares Skoda até os sedãs de luxo Audi e os carros esportivos Porsche, serve como modelo para a estratégia multimarca da Fiat Chrysler. Com a VW em dificuldades para ganhar participação de mercado nos EUA, as marcas Chrysler, Dodge e Jeep poderiam ser atraentes, e Piech há tempos expressou interesse na Alfa Romeo.

Em julho, a Fiat foi ligada, em reportagens na mídia, a fusões ou negócios com a Volkswagen e com a PSA Peugeot Citroën, da França. A fabricante de carros italiana negou, na época, que houvesse alguma negociação em andamento. Um representante da Volkswagen, que tem sede em Wolfsburg, Alemanha, disse ontem que não há aquisições na agenda, pois a fabricante está se concentrando em melhorar a eficiência internamente, reiterando um comunicado de julho da empresa.

 

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