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Ferrari pode mudar sede para fora da Itália para pagar menos imposto

A fabricante do carro de luxo poderá seguir os passos de sua empresa-mãe Fiat Chrysler, que está registrada nos Países Baixos, listada na Bolsa de Nova York e tem sua sede em Londres por motivos tributários.

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SÃO PAULO - A Ferrari está estudando mudar sua sede fiscal para fora da Itália para economizar com os impostos corporativos, segundo fontes com conhecimento do assunto. A notícia surge em um momento em que a fabricante de supercarros se prepara para separar-se da Fiat Chrysler Automobiles.

A fabricante, que usa as cores da bandeira italiana em seu logotipo, poderá seguir os passos de sua empresa-mãe Fiat Chrysler, que está registrada nos Países Baixos, listada na Bolsa de Nova York e tem sua sede em Londres por motivos tributários, disseram as fontes, que pediram anonimato porque as discussões são privadas. 

Outras opções, inclusive a de manter a residência italiana, ainda estão sobre a mesa, e uma mudança em sua sede fiscal não afetaria suas operações de fabricação e engenharia em Maranello, a cerca de 190 quilômetros ao sul de Milão, disseram as fontes. A decisão final será tomada nos próximos meses, acrescentaram. Representantes da Fiat Chrysler preferiram não comentar. 

A mudança da sede corporativa da Ferrari para fora da Itália representaria uma derrota simbólica do país, que está tendo dificuldades para acabar com o ciclo de recessões. O primeiro-ministro Matteo Renzi está tentando realizar reformas trabalhistas e fiscais para tornar a economia italiana mais competitiva.

Esses esforços já vieram tarde demais para a Fiat Chrysler e a CNH Industrial, a fabricante de caminhões e tratores que se separou da Fiat em 2011. Ambas as empresas mudaram suas sedes da Itália para o Reino Unido. 

“O afastamento da Itália de um ícone como a Ferrari mostra que esse país é impróprio para as empresas e que seu sistema fiscal claramente não é competitivo”, disse Ugo Arrigo, professor de finanças públicas da Universidade de Milano Bicocca.

A separação da Ferrari faz parte dos esforços da Fiat Chrysler para levantar cerca de US$ 5 bilhões para reduzir as dívidas. O CEO Sergio Marchionne se reunirá com investidores nos EUA nesta semana porque a empresa está se preparando para vender um bond conversível obrigatório de US$ 2,5 bilhões e pelo menos 87 milhões de ações. 

O financiamento, que é garantido pela distribuição de 80% de ações da Ferrari para investidores da Fiat Chrysler, aumentará o caixa em US$ 3,7 bilhões, disse a empresa em um relatório, na semana passada. 

A Fiat Chrysler e a CNH tiram proveito da redução da taxa de imposto corporativo do Reino Unido, reduzida de 21% para 20% neste ano. A renda proveniente das patentes acabará sendo de apenas 10%, gerando potencial para um alívio adicional. 

Como comparação, a taxa corporativa da Itália é de 31,4%. O país está classificado em 56º lugar no ranking de fechamento de negócios do Banco Mundial, logo atrás da Turquia e da Hungria. O Reino Unido está em 8º lugar.

Prejudicada por políticas sufocantes, a economia italiana está tendo dificuldades para sair da recessão mais longa da história, após registrar retrações em 11 dos últimos 13 trimestres. 

As taxas de desemprego estão próximas de níveis recordes e milhares de italianos deixaram o país em busca de um futuro melhor. No ano passado, o número de emigrantes da Itália subiu 19%, para 126.000, segundo a agência de estatísticas Istat.

A Fiat Chrysler planeja listar 10% da Ferrari até o terceiro trimestre do ano que vem. As ações da fabricante da 458 Italia serão negociadas nos EUA e possivelmente em uma bolsa europeia, segundo a empresa. Milão está sendo considerada para uma cotação secundária, com Nova York como mercado principal, disseram as fontes. 

A Fiat Chrysler, que tem sede em Londres, não comentou sobre a sede fiscal da Ferrari, mas Marchionne, que também é presidente do conselho da Ferrari, insiste que as raízes da empresa continuarão ligadas ao seu país natal independentemente das decisões financeiras. 

A Ferrari “continua italiana como sempre”, disse ele no mês passado em um evento da Fiat em uma pista de testes em Balocco, Itália. “Os mercados de capitais são os mercados de capitais”.

 

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