A inflação despenca e alimenta o otimismo

O IPCA de fevereiro já acusou os impulsos das quedas de preços de alimentos e de energia. O primeiro trimestre do ano passado teve uma alta do IPCA de 3,83% e deverá ter uma a de 2,65% nesse ano. Os juros estão desabando com o aumento das apostas na redução da SELIC. Amanhã o BCE poderá reduzir os juros ainda mais para conter a deflação de corrói a Zona do Euro.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

Hoje é mais um dia de otimismo: os preços de fevereiro subiram menos que o esperado, segundo o IPCA do IBGE. As expectativas eram de uma alta de 1,15% e o índice veio em 0,90%. Não é a melhor inflação da história, mas escapa aos sombrios palpites que colocam os preços de nossa economia em completo descontrole. Não é para tanto, Veja a tabela abaixo:

 

 

Os alimentos, que mais pesam na inflação brasileira[1], desaceleraram de 1,27% para 0,90%, mas ainda continuam pressionados. Os alimentos in natura subiram no início do ano por conta das fortes chuvas. Para que você tenha uma ideia, a cenoura subiu 64%, o feijão mais de 20% e as hortaliças mais de 13%. Daqui para frente esses preços devem desacelerar. Reduzindo a taxa mensal da inflação para algo como 0,4% ou 0,5%. A Habitação já sentiu a queda da energia elétrica e deve continuar sentindo até abril, quando entra em vigor a bandeira verde. Comparando com o ano passado, a inflação desse primeiro trimestre deve ficar em 2,65%, contra os 3,83% anteriores. No ano, ela deve fechar em 6,70%. Com esse número de IPCA revisei minhas projeções iniciais ( http://pepasilveira.blogspot.com.br/2016/02/em-2017-pib-de-396-e-ipca-de-750.html )

Com isso, as taxas de juros caíram significativamente, já que o mercado passou a apostar em queda dos juros básicos a partir do segundo trimestre. Para as taxas mais longas, ajuda a melhora de percepção de risco em relação ao Brasil e o otimismo global com a possibilidade do BCE reduzir mais uma vez seus juros amanhã. Hoje eles estão em -0,30% e alguns acham abalistas acreditam que elas possam cair mais, já que crescimento e inflação na Zona do Euro estão derretendo. Veja o gráfico da inflação na Zona do Euro:

 

Note que a meta do BCE é 1,80%, mas a taxa acumulada no ano vem caindo fortemente, ficando em terreno negativo, mesmo com os programas de estímulo monetário. Para tentar conter essa deflação, o mercado acredita que o BCE reduzirá ainda mais os juros e aumentará a quantidade de moeda em circulação. Mais dinheiro em circulação e juros negativos podem não criar empregos e empurrar a economia. Mas ajudam a criar uma boa euforia nos mercados.

 

 


[1] Aqui no Brasil pesam cerca de 25%, ao passo que em países de alta renda pesam cerca de 5%. É por isso que em tais países os BCs utilizem a inflação a partir de seu núcleo, que exclui preços de alimentos e energia. Tais preços são muito voláteis e, por isso, não afetam diretamente as decisões de política monetária.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com