Balanços do setor não financeiro vêm com prejuízo de R$ 5 bilhões

Dezessete empresas não financeiras do IBOVESPA anunciaram seus resultados nessa semana. Os prejuízos acumulam mais de R$ 5 bilhões, em parte por conta da desvalorização cambial, em parte por conta da contração da atividade econômica. Os preços só não caem mais, porque os agentes já haviam precificado essa queda ou porque colocam, nos mesmos, uma expectativa de recuperação.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

O mês termina com dezessete das cinquenta e três empresas não financeiras do IBOVESPA com seus resultados anunciados. E eles vieram em linha com os dois grandes eventos do terceiro trimestre: a forte contração da economia e a desvalorização cambial de quase 30%. Somados os resultados dessas dezessete grandes empresas, temos um prejuízo de mais de R$ 5 bilhões, em parte por conta da queda das vendas, em parte pelo forte impacto da desvalorização cambial sobre os balanços. O maior prejuízo foi o da Vale do Rio do Doce (R$ 6,6 bilhões) e o maior lucro foi o da Ambev (R$ 3 bilhões).

Olhando a tabela acima note que o resultado dessa amostra de empresas piorou em R$ 6,8 bilhões em relação ao mesmo período do ano passado. Já a geração de caixa (EBITDA – lucro antes dos juros, impostos depreciação e amortização) aumentou em quase R$ bilhões, um pouco acima da inflação do período, mas muito longe da desvalorização cambial ocorrida entre o terceiro trimestre desse ano e o do ano passado.

No caso da Vale do Rio do Doce, que tem seus produtos cotados em dólares, a geração de caixa foi praticamente a  mesma, indicando que as vendas foram prejudicadas pela queda dos preços internacionais. Já Fíbria, Embraer e Brasil Foods foram amplamente beneficiadas pela desvalorização cambial, que fez suas vendas externas subirem e aumentaram seus EBITDA. Os seus prejuízos refletiram o aumento das dívidas em dólares e serão compensados pelo aumento do valor de suas vendas. Mas importantes empresas como Pão de Açúcar, Natura, Renner, Usiminas, Hypermarcas, CCR e Multiplan, tiveram seus EBITDA em queda. Algumas em queda nominal, outras em queda real (descontado o IPCA acumulado no ano). E essas quedas resultam da contração da atividade econômica. Quem se salvou foi a AMBEV, cujo lucro no trimestre atingiu R$ 3 bilhões, com crescimento substancial de seu EBTIDA, tanto em termos nominais como em termos reais.

Os resultados mostram o terceiro trimestre como ponto mais profundo no processo de queda da atividade econômica e a queda dos lucros corporativos terão implicações para os Investimentos (que continuarão a cair e a puxar a demanda para baixo). A bolsa só resiste nesse patamar, seja porque já caiu, antecipando parte dos prejuízos, seja porque alguns agentes tratam de colocar alguma componente de recuperação econômica nos preços atuais.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

Deixe seu comentário

Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com