Mais um rebaixamento da economia brasileira

O rebaixamento da nota de crédito do Brasil é mais um fator negativo a pesar sobre as perspectivas da economia brasileira. Como a crise política continua a mostrar que não há solução à vista, é de se esperar que o Brasil perca o grau de investimentos até o segundo trimestre de 2016, no máximo.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

A agência inglesa de avaliação de riscos FITCH Ratings rebaixou a nota de crédito do Brasil de BBB para BBB- e, com isso, o país fica a um passo de perder o grau de investimento, já que ela deu uma perspectiva negativa para a nota. A qualquer momento, até o segundo trimestre de 2016, o comitê de avaliação pode se reunir e revisar, uma vez mais, a nota. O rebaixamento pela Fitch era esperado, já que ela estava “atrasada” em relação à Moody´s e à S&P. Vale ressaltar que a perda do grau de investimento será mais um forte evento negativo para o país, pois afasta ainda mais os investidores, aumentando os custos de financiamento tanto para o setor público como para o setor privado.

A nota de crédito se baseia na avaliação que a empresa faz a respeito da capacidade do país em manter seus compromissos futuros garantidos. Isso é resultado da capacidade fiscal - dada pela evolução da relação entre a dívida e o PIB  - e do equilíbrio do setor externo. Como o déficit público está subindo, a economia está se encolhendo e os gastos com juros estão aumentando, a trajetória da relação dívida/PIB está apontando para um forte aumento. Como isso resulta da crise econômica e da crise política, a empresa julga que o Brasil precisa mostrar sinais de que esse quadro vá ser revertido para evitar um novo rebaixamento. Uma aposta que faz sentido é a de que esse rebaixamento ocorrerá já que a reversão do atual quadro está longe, sobretudo por conta do caos político.

Sobre a deterioração da situação fiscal vale a pena citar o “ post” de 01/10/2015, http://pepasilveira.blogspot.com.br/2015/10/setembro-fechou-com-queda-de-336-e-deve.html . A falta de condições de agregar receitas (aumentar) por parte do governo Dilma tende a acentuar o desastre que tem sido a crise para a execução de gastos essenciais como os de investimentos em infraestrutura, programas sociais e educação. Veja a tabela com a evolução dos gastos do Tesouro de janeiro a agosto desse ano, comparados ao mesmo período do ano passado:

A receita está despencando com a contração da economia (ela causa queda da arrecadação dos impostos e contribuições) e as despesas que estão sendo cortadas são as do PAC (-41%), Saúde (-5%) e Educação (16%). Essas despesas têm um papel fundamental para a economia no longo prazo (são investimentos) e pesam fortemente na contração de curto prazo (a sua queda tem efeito multiplicador sobre a queda da demanda total da economia). Note que apesar da forte contração dessas despesas, houve forte aumento dos gastos relativos à desoneração da Folha de Pagamentos e dos encargos com o Distrito Federal. 

A evolução da crise fiscal está totalmente condicionada pelo resultado da luta entre o governo, que luta para se manter longe do impeachment, e a oposição, que quer fazer o país sangrar até que o governo caia. Não há como evitar a perda do grau de investimentos.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com