Setembro fechou com queda de 3,36% e deve se repetir

Para o Ibovespa, setembro marcou o terceiro mês de queda consecutiva e ela acumula queda de quase 10% em 2015 e de 14% em um ano. O dólar ficou 7% mais caro que o real no mês, 49% no ano e 60% em doze meses. Os juros para 2017 saíram de 14% para bater estratosféricos 17% no dia de maior nervosismo e fecharam a 15,60%. Esses são os indicadores da deterioração do quadro brasileiro e não indicação de que ele deva ser revertido no mês de outubro. A briga pela deposição da presidente Dilma Roussef não dá tréguas e tem impedido qualquer aceno para melhoria do quadro fiscal. Como resultado, as contas públicas continuam reagindo negativamente à forte queda do PIB.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

O mês de setembro acabou e não vai deixar saudades. Os indicadores econômicos pioraram substancialmente no Brasil, a crise política continua jogando o país em um precipício e o mundo vê aumentar todas as incertezas em relação às condições atuais e as perspectivas para o crescimento de 2015 e 2016.

Para o Ibovespa, setembro marcou o terceiro mês de queda consecutiva e ela acumula queda de quase 10% em 2015 e de 14% em um ano. O dólar ficou 7% mais caro que o real no mês, 49% no ano e 60% em doze meses. Os juros para 2017 saíram de 14% para bater estratosféricos 17% no dia de maior nervosismo e fecharam a 15,60%. Esses são os indicadores da deterioração do quadro brasileiro e não indicação de que ele deva ser revertido no mês de outubro. A briga pela deposição da presidente Dilma Roussef não dá tréguas e tem impedido qualquer aceno para melhoria do quadro fiscal. Como resultado, as contas públicas continuam reagindo negativamente à forte queda do PIB.

Em relação às contas públicas, em particular, é importante ressaltar que a piora significativa do resultado primário, que saiu de superávit para déficit, tem como causas básicas a queda da arrecadação, por conta da forte recessão, a queda da arrecadação da previdência, por conta da lei 12.715/2012, que liberou alguns setores de vários encargos da previdência social, e a incapacidade do governo em criar outras fontes de receitas em função do forte embate político criado no legislativo. Veja o quadro abaixo:

Note que a arrecadação caiu 4,8% nos oito primeiros meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado e a despesa também caiu, cerca de 2,1%. A desoneração da folha está consumindo cerca de R$ 17 bilhões dos cofres públicos. Se o déficit público foi de R$ R$ 14 bilhões no mesmo período, fica evidente que o peso dessa decisão, tomada em 2012, foi crucial para a deterioração fiscal. Ainda que os seus defensores apelem para o argumento de que essa renúncia tributária permite a melhora das condições produtivas, o aumento do desemprego e a queda da produção industrial mostram que o incentivo foi mais efetivo para aumentar a lucratividade do setor e não para impulsionar o crescimento. Hoje a renúncia prejudica toda a economia, por aumentar a chance de rebaixamento do Brasil por conta da piora das contas públicas. Do lado da despesa controlada pelo governo, os gastos caíram absurdamente: o PAC  teve perda de 41%, a Saúde 5%, Educação 16%, Desenvolvimento Social 2,1% e os demais 12%. Isso significa que o governo está desmontando uma série de programas e gastos essenciais à população e à economia, com impacto econômico e social enorme. As obras de infraestrutura, os programas de saúde e amparo às camadas mais pobres da população, os programas de ensino como FIES, PROUNI e Ciência sem Fronteiras, estão sendo exterminados para compensar as perdas de receita geradas pelas desonerações feitas pelo governo, pela recessão e pela nada coerente insistência do legislativo em aprovar as medidas de ajuste. Quando os membros do parlamento dizem para que o governo CORTE NA CARNE, vemos de quem é a carne que está sendo cortada. Além de atingir uma população inquestionavelmente mais dependente dos serviços do Estado, esses cortes se dão em cima de despesas com multiplicadores mais intensos dos que os relativos à alternativa proposta por Levy: as rendas mais elevadas.

As perspectivas continuam a se deteriorar por conta do cenário externo e da incapacidade de execução de um ajuste fiscal, ainda que modesto.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com