O caminhão sem freio começou a descer a ladeira

A China mostrou nova contração em sua produção industrial, elevando a temperatura do derretimento dos mercados globais. As taxas de câmbio, as bolsas e os títulos continuam derretendo como reação à falta de coordenação para evitar uma nova crise global.
Blog por Pedro Paulo Silveira  
Porto de Tianjin

A empresa britânica MARKIT divulgou hoje as pesquisas sobre a atividade industrial de vários países e o mais importantes vieram em queda, tais como China e EUA. A China atingiu seu menor patamar desde 2009, mostrando o impacto da desaceleração da demanda doméstica chinesa e de suas exportações. A economia do país passa por uma fase de “rebalanceamento”[1], após uma década e meia de crescimento muito acelerado. Deve ter pesado alguma coisa a paralisação, ainda que parcial, de um dos maiores portos do mundo, o de Tianjin, que foi palco da forte explosão da semana passada. O PMI caiu de 47.8 no final de agosto para 47.1 nessa semana. Leitura acima de 50 indicam expansão industrial e abaixo contração. O indicador vem indicando contração desde o início desse ano, após leve recuperação no último trimestre do ano passado.

Nos EUA o PMI também mostrou a desaceleração, ainda que se mantenha acima dos 50 pontos. O indicador vem mostrando perda de dinamismo desde o fim do ano passado e hoje o anúncio fez as bolsas ficarem ainda mais desanimadas. A Europa, no entanto, mostrou ligeira alta na Zona do Euro em uma tendência inversa à dos EUA e China. Veja os indicadores PMI:

  

E essas divulgações fizeram com que oi cenário já azedo, azedasse ainda mais. As bolsas da Ásia repetiram o mergulho de ontem, o mesmo acontecendo para a Europa e EUA. OL índice S&P500 já acumula uma queda de 2,6% no ano e pode ficar abaixo de 2000 pontos. No ano passado a bolsa “realizou lucros” até os 1820 pontos, o que, se repetido agora, significaria mais uma queda de quase 10%. Aqui no Brasil a Petrobrás está sendo contada abaixo de R$ 8,50 e seu valor de mercado atingiu R$ 116,7 bilhões, o que representa uma perda de R$ 22 bilhões em relação ao início do ano.

A enorme confusão política no Brasil joga ainda mais querosene nesse incêndio, com o presidente do Congresso sendo acusado formalmente pelo PGR e com a possibilidade real do PMDB desembarcar de vez do governo. A Fitch, empresa de avaliação de notas de crédito (rating), por meio de seu diretor, mostrou que a tendência é o Brasil perder a sua nota de Grau de Investimento.

As vendas globais em bolsas continuam mostrando o pessimismo em relação  ao crescimento, reforçando a queda do petróleo, que cai 2,6%, sendo cotado a US$ 40,23. Os juros dos títulos de dez anos dos EUA estão saindo a 2,06%, os da Alemanha a 0,58% e do Japão a 0,36%.

O enorme caminhão sem freio, tudo indica, começou a descer a ladeira.

 

 


[1] Utilizo a frase do editorial de hoje da revista The Economist.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com