O PIB vai derreter os 2,5% nesse ano

O Banco Central divulgou hoje o seu índice de atividades, o IBC-Br, de julho. Ele sugere uma queda de 0,58% no mês, 1,89% no trimestre e de 2,58% no ano. Ainda que a pesquisa do BC não seja divulgada de forma detalhada, ela serve como uma estimativa para a taxa do PIB trimestral do segundo trimestre. Se a pesquisa do BC estiver correta e se o modelo que uso está bem calibrado, é de se acreditar que o PIB tenha caído 2,10% no segundo trimestre em relação ao primeiro.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

O Banco Central divulgou hoje o seu índice de atividades, o IBC-Br, de julho. Ele sugere uma queda de 0,58% no mês, 1,89% no trimestre e de 2,58% no ano. Ainda que a pesquisa do BC não seja divulgada de forma detalhada, ela serve como uma estimativa para a taxa do PIB trimestral do segundo trimestre. Se a pesquisa do BC estiver correta e se o modelo que uso está bem calibrado, é de se acreditar que o PIB tenha caído 2,10% no segundo trimestre em relação ao primeiro, acumulando uma queda de 0,95% em um ano. Esse número dá razão à mais pessimista das projeções: é possível que a queda do PIB supere os 2,5% que havia estimado em janeiro[1]. Veja o gráfico abaixo:

 

A linha vermelha é média de seis meses do indicador do BC e atenua as oscilações mais fortes do indicador. Note que o indicador teve seu pico em junho de 2012, e de lá para cá veio caindo consistentemente, acumulando queda de 5%.

A possibilidade de uma queda do PIB superior a 2,5% nesse ano está na dependência do saldo externo. Ele é o único que trará uma contribuição positiva, apesar das condições globais de 2015 serem piores que as de 2014. A taxa de câmbio, que vem se desvalorizando fortemente, ajudou a inverter o saldo da balança comercial de negativo para positivo. Como essa conta ainda é muito incerta, não há como adiantar o resultado líquido do setor externo e seus impactos sobre a taxa de crescimento do PIB de 2015. O certo é que os componentes domésticos da demanda cairão:

 

- O saldo dos gastos do governo cairá em relação ao ano passado, ainda que não atinja a meta de superávit primário desejada pelo mercado e pelo ministério da fazenda.

- Os investimentos continuarão a derreter, com fortes impulsos dados pela paralização do setor público (nas três esferas as obras estão empacadas), pela queda da bolsa[2] e pela contínua piora das condições de crédito.

- Finalmente, o consumo das famílias está caindo e podemos sentir essa queda a partir das pesquisas de confiança e vendas do varejo. A elevada inflação e o aumento do desemprego estão reduzindo a renda real das famílias e as condições de crédito definitivamente induziram à queda da compra de bens duráveis.

Com tudo isso em mente e olhando as perspectivas vendas do setor externo e da política, o maior risco é o de errar a projeção do crescimento de 2015 para mais e não para menos. Se houver alguma novidade, com certeza ela será negativa.

É provável que a inflação, que está estimada em 9,5% para 2015 sofra um aumento caso as condições climáticas continuem a castigar a região Sudeste-Centro Oeste. Hoje o governo de São Paulo assumiu oficialmente a crise hídrica no Alto TietÊ, o que poderá interromper o fornecimento para indústria e agricultura. O Boletim da Sabesp indica queda de 12,5% no faturamento de água por parte da empresa, o que mostra que há redução da oferta e ela explica a queda em ritmo reduzido das reservas do Cantareira e outros sistema amdinsitrados pela empresa. O mesmo ocorre com os reservatórios da usinas hidroéletricas da região que, apesar da seca, têm se beneficiando da forte desacelração Econômica.

Esse "detalhe" pode indicar que os preços continurão elevaos e que a inflação contuinuará a pressionar o poder de compra das famílias. O que torna o cenário inflacionário ainda mais desconfortável é a trajetória de desvalrização do real, que deve continuar ao longo do segundo semestre.

Ainda há muito o que piorar antes que as coisas comecem a melhorar.

 


[1] Essas estimativas foram expostas nos postshttp://pepasilveira.blogspot.com.br/2015/01/estimativa-para-o-ipca-acima-de-7-e-do.html  ; http://pepasilveira.blogspot.com.br/2015/03/semana-com-fed-e-expectativas-em-queda.html .

[2] A queda do valor das empresas cotadas em bolsa é um indicador importante sobre a direção dos Investimentos. 

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com