Mais de 6% de queda em Xangai

A bolsa de Xangai voltou a apavorar os mercados nessa madrugada. Caiu 6,15% e empurrou as ações de países emergentes para baixo. Após o anúncio da queda de mais de 40% nas vendas de aços planos no Brasil, a Bovespa intensificou sua queda. Com um mundo cada vez mais instável e com a política doméstica jogando mais ruído, a bolsa deve continuar caindo.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

Na madrugada de hoje a bolsa de Xangai caiu novamente: -6,15%. A motivação para o corre-corre pode ter sido a informação de que os imóveis residenciais tiveram queda de preços de 4,4%. A “fraqueza” da economia chinesa já foi discutida aqui em vários momentos de sorte que não a pena retomar seus fundamentos[1]. Mas essa queda expressiva voltou a colocar todas as atenções voltadas ao mercado emergentes. Veja o gráfico do índice da bolsa de Xangai:  

Apesar de já ter caído 24% em relação ao seu máximo de 15/06, ela ainda está longe dos patamares em que se encontrava em maio do ano passado. Para chegar lá, serão necessários mais 46% de queda. Ocorre que o governo Chinês - uma ditadura que controla boa parte do mercado – não está disposto a permitir que isso ocorra tão rapidamente. Mas vale relembrar que a alta de 158%, ocorrida em pouco menos de um ano, foi fruto da política monetária expansionista do PBOC (banco central chinês), que reduzir as taxas de juros sobre empréstimos, aumentou a oferta monetária e facilitou a expansão das linhas de crédito para os mercados acionários. Não havia fundamento para uma alta tão explosiva e agora os investidores estão buscando a oportunidade de sair desse “mico”. Quando o governo “cochila”, o chão treme, com todos tentando sair daquilo que podem.  Porém, esse movimento ocorre em apenas 30% das ações, ao passo que os outros 70% estão congelados por medidas governamentais.

Ao reconhecer os limites para queda da bolsa de Xangai, não estou afirmando que não há possibilidade de pânico. Ao contrário, o nervosismo está aumentando em relação ao potencial de estrago que a desaceleração global pode fazer aos países exportadores de commodities. A Bovespa esta em forte queda, novamente, por conta do derretimento da bolsa de Xangai e por conta da queda dos preços das commodities. Apesar do petróleo ter interrompido sua queda hoje, tivemos notícias ruins para o aço: o Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço informou que as vendas de aços planos caíram 41,3% nos doze meses encerrados em julho. Essa queda forte resulta da paralização dos investimentos privados  e das obras do setor público, sem falar na forte queda da produção de veículos. Com esse humor continuamente piorando no exterior e na economia e mais as ações políticas internas, temos a manutenção de um quadro tenebroso para as empresas do Bovespa.

 


[1] Particularmente o post de 8/jul : http://pepasilveira.blogspot.com.br/2015/07/china-em-seu-momento-kalecki-1.html .

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

Deixe seu comentário

Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com