Entre boas notícias, minério de ferro despenca 6%

O Brasil teve duas boas notícias hoje com a inflação em queda em São Paulo e uma recuperação da indústria em maio. No entanto, ambas são episódicas e deverão ser apagadas pela continuação do derretimento da atividade em setores chave da economia nacional e da China. O minério de ferro, em particular, sinaliza os enormes problemas estruturais que o setor de mineração e siderurgia estão enfrentando e que ainda podem piorar. O minério de ferro com 62% de teor de pureza, distribuído na China caiu 65% em dois anos, 6,5% só no pregão de hoje. E pode ficar pior.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

Hoje tanto os mercados como os noticiários estão apontando em direções diferentes a considerar o ativo ou o país que o leitor escolha, No Brasil tivesmo boas notícias., com a inflaçao medida pela Fipe desacelerando em sua última semana do mês, fechando em 0,47%, depois de ter comelado em 0,61%. Os alimentos, que pesam muito no índice, desaceleraram consideravelmente na região metropolitana de São Paulo, saindo de uma alta de 1,04% para 0,58%. Veja a tabela:

Fipe - Semanas do mês de junho de 2015

 

A notícia boa termina aí, já que a Eletropaulo anunciou um novo aumento, de 15%, para valer a partir de julho. O impacto na Fipe se dará a partir da inflação de agosto, já que a inflação é apurado de acordo com a cobrança das contas de luz. No ano a distribuidora paulista já aumentou 75% a conta de luz. Mas houve a indústria de maio e ela mostrou alguma recuperação após três tombos consecutivos. A tabela abaixo, do IBGE, mostra a situação da indústria nacional:

IBGE: Produção Industrial Mensal

Veja que os bens de capital e bens do consumo deram um respiro, mas as quedas no ano (penúltima coluna) ainda são de arrepiar. Ambos caem 20,6% e 9,6% respectivamente. Das categorias que foram bem no mês de maio, destacam-se,m segundo os técnicos do IBGE, equipamentos de transporte, petróleo, perfumaria, bebidas, vestuário, farmaceuticos, produtos de madeira e papel e celulose. A queda anual da indústria está em 6,9% e deve terminar ruim. Veja o gráfico para as quedas anuais, por categoria:

 

Confirma a idéia de queda da inbdústria a pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria, CNI, sobre o nível de ocupação das fábricas. Ela foi de apenas 80,1% em maio. Veja o gráfico:

A linha azul é a observação de cada mês e a vermelha é a média de seis meses. Note que a utilização da capcidade das empresas está com uma enorme folga, de 20%, e isso faz com que as empresas do setor industrial posterguem seus investimentos ou. o que é pior, tentem se desfazer de alguns de seus equipamentos ou filiais, como é o caso da Petrobrás (que está vendendo campos de petróleo, de gás e outros investimentos). Ao adiarem seus investimentos, ou reduduzí-los, os preços dos bens de capitais tendem a cair e isso aplica um novo golpe sopbre a produção industrial e os investimentos em geral. Um setores que está amargando perdas homéricas é o da siderurgia e mineração. Ambos dependem da produção local de bens de capital, obras de infraestrutura, do setor de construção civil e da indústria automotiva. Como esses setores lideram as quedas, as empresas entram em declínio acentuado. No ano a CSN já caiu 15%, a Gerdau cerca de 28%, Usiminas 19% e Vale 17%. Outro vetor que empurra fortemente esse segmento, e toda a nossa economia junto, é a queda da atividade global, em particular na China, grande consumidora do minério de ferro e de aço. Com a queda dos investimentos em obras de infraestrutura e do setor imobiliário, a demanda por esses bens caiu fortmente e, com ela, os preços do minério de ferro. Veja o gráfico dos preços do minério de ferro distribuído na China, cotado em dólares:

Minério de Ferro, 62% de teor de pureza.

Com isso esses setores, mais próximos das grandes obras locais e globais continuarão de lado, amargando com uma queda de mais de 65% em dois anos e de mais de 6% só hoje. As estimativas de algumas casas globais de análise avaliam que o preço do minério de ferro pode ficar entre US$ 30 e US$ 40 a tonelada. A confirmar isso, que depende das condições estruturais do mercado global, há mais espaço para quedas e, até mesmo, para que algumas empresas desapareçam. Tudo indica que o segmento, em termos globais, esteja à beira de grandes movimentos de fusões e aquisições e de falências.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com