Atividade industrial em expansão na Zona do Euro e desacelerando nos EUA

As bolsas europeias se escoram na expansão industrial decorrente da implementação das compras de títulos levadas a cabo pelo BCE em seu novo Quantitative Easing. Nos EUA, o NASDAQ recua do seu recorde em função da desaceleração do PMI em junho
Blog por Pedro Paulo Silveira  

Hoje a Markit, empresa inglesa de consultoria econômica, divulgou a pesquisa PMI (Purchasing Managers Index), que tenta antecipar os indicadores de atividade econômica e ele veio melhor do que o esperado. A pesquisa Bloomberg mostrava que os economistas estimavam um PMI de 53,5 e ele veio em 54,1. Por conta disso, e somando os impulsos dados pela expectativa de acordo com a Grécia, os mercados europeus subiram novamente. Veja o gráfico do PMI da Zona do Euro:

Note que ele antecipa muito bem a atividade medida pelo PIB da Zona do Euro e que temos um movimento de razoável recuperação desde 2014. Depois de cair fortemente (abaixo de 50 o PMI indica retração da economia), o índice passou a se recuperar por conta do programa de estímulo levado a cabo pelo Banco Central Europeu. Mesmo no ano passado, quando ele inverteu a tendência e caiu próximo aos 50, houve recuperação, por conta de um novo impulso no programa a do BCE.

Nos EUA, a divulgação das encomendas de bens duráveis, que refletem os investimentos, mostrou que o setor de transporte está em encolhimento e os demais em leve alta, mas o PMI industrial do país sofreu uma nova queda, veja o gráfico:

 

 

Apesar de estar bem acima dos 50, mostrando expansão, a indústria dos EUA vem desacelerando desde agosto do ano passado. O que tem mantido o indicador em expansão é a criação de empregos, mas a liquidação de estoques nesse mês é apontada como influência para a desaceleração. Além disso, os pesquisados apontam as preocupações em relação às condições futuras da economia e a valorização do dólar frente as outras moedas como fonte de cautela. Um número “morno” que levou o mercado americano a virar, de uma alta no S%P500 para uma leve queda. Os dados do mercado imobiliário reforçaram a sensação de desaceleração suave da economia.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com