Ibovespa sobe com otimismo global

A divulgação do IPC-S da terceira semana de junho, pela FGV, mostra uma leve desaceleração na inflação ao consumidor, com manutenção de um patamar elevado. A oferta de crédito continua minguando, com destaque para os veículo e para a ainda pequena inadimplência. Porém, apesar dos dados ruins da economia, a bolsa está se aproveitando do ciclo de otimismo do exterior.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

A Fundação Getúlio Vargas divulgou o IPC-S da terceira semana do mês de junho e ele deu uma pequena desacelerada em relação à semana anterior: 0,83% x  0,86%. As pressões sobre a alimentação diminuíram, mas o nível de preços continua elevado. Na tabela abaixo você notará que os alimentos chegaram a subir 1,08% na primeira semana do mês mas agora estão em alta de 0,98%. O item habitação acomodou-se em patamar elevado, 0,70%, refletindo aumentos das tarifas de água e luz, o item saúde e cuidados pessoais saiu dos 1,21% da última semana do mês passado para os atuais 0,79%, por conta da diminuição dos efeitos das altas dos convênios e dos remédios. A curiosidade do mês fica por conta e despesas diversas, com 6%, refletindo a alta de 48,77% na loteria esportiva, veja a tabela da FGV:

  

O BC, por sua vez, divulgou a Nota de Política Monetária para a imprensa e eu gostaria de destacar que as condições de crédito da economia continuam a “esfriar”. As concessões de crédito do sistema financeiro caíram de R$ 305 bilhões em abril para R$ 302 bilhões em maio. No mercado de veículos, que já avaliei em “post” anterior (http://pepasilveira.blogspot.com.br/2015/06/a-producao-de-veiculo-caiu-18-ate-maio.html ) , a queda foi mais acentuada, veja o gráfico:

 

A queda dos financiamentos no mês foi de 1,11% e isso reflete a contínua deterioração do comportamento dos agentes no que diz respeito à aquisição de bens duráveis.  A inadimplência do setor subiu pouco, mas isso pode mostrar que ainda há um longo caminho a seguir nessa estatística um pouco macabra, veja o gráfico:

Inadimplência empréstimos pessoais

 

O mercado doméstico está reagindo com otimismo às altas globais das bolsas. Note, no gráfico abaixo, que se a bolsa não está perto do seu “topo” de agosto passado, quando Marina Silva despontou nas pesquisas, ela não reflete um mundo tão ruim. Cotado em dólares, o índice IBOVESPA  está no nível de 2006, 240% acima da média dos anos 2.000.

 Ibovespa

 

Apesar dos dados ruins sobre a economia e a política do Brasil, os mercados globais com alta liquidez e juros zero continuam segurando as nossas ações.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com