Acordo da Grécia e transações correntes trazem otimismo

As bolsas globais refletem a euforia dos agentes com a possibilidade de um acordo com a Grécia. Hoje ocorreu uma reunião de emergência entre os ministros de finanças dos países da Comissão Europeia e nela foi apresentada pela Grécia nova proposta de acordo para substituir o programa de resgate em curso. Segundo as “fontes de mercado”, a proposta atual do governo grego traria algumas melhorias em relação às anteriores (aumentos de impostos) e isso aumentou as chances do acordo.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

As bolsas globais refletem a euforia dos agentes com a possibilidade de um acordo com a Grécia. Hoje ocorreu uma reunião de emergência entre os ministros de finanças dos países da Comissão Europeia e nela foi apresentada pela Grécia nova proposta de acordo para substituir o programa de resgate em curso. Segundo as “fontes de mercado”, a proposta atual do governo grego traria algumas melhorias em relação às anteriores (aumentos de impostos) e isso aumentou as chances do acordo. Na quarta feira será feita uma reunião definitiva (talvez sejam mais de vinte reuniões definitivas desde janeiro!) e, segundo o presidente francês, Francois Hollande, o acordo sairá.

Segundo a Bloomberg News, o Banco Central elevou o total de linhas de financiamento de curto prazo para os bancos gregos para US$ 100 bilhões. Esse montante subiu fortemente nas últimas semanas com as fortes retiradas que os gregos fizeram em suas contas bancárias e aplicações, com receio de um calote, caso a Grécia não conseguisse o acordo. Os empréstimos de curto prazo (Emergency Liquidity Assistence – ELA) são dados aos bancos para eu eles não tenha problemas de liquidez, decorrentes dos descasamentos entre os prazos dos empréstimos que concedem (a longo prazo) e os depósitos que recebem (a curto prazo). Essa pressão sobre o sistema bancário grego deve diminuir a partir de quarta feira, caso o acordo seja efetivado. O que podemos esperar, a seguir, é que a liquidez comece a retornar ao sistema bancário grego e isso, por sua vez, estimulará a economia. Veja como fecharam as bolsas europeias:

  

No Brasil o otimismo não foi tão elevado, mas a bolsa recupera parte dos estragos causados pelo pregão de sexta, marcado pelas péssimas notícias da economia. Hoje foi divulgado, pelo BC, o resultado das contas externas do Brasil em maio e os dados começam a mostrar uma reação positiva. O mercado esperava, segundo a Bloomberg, um déficit de transações correntes de US$ 4,6 bi e ele veio em US$ 3,3 bi; os investimentos diretos foram de US$ 6,6 bi, contra as expectativas de US$ 4,2bi. Veja o gráfico do Saldo de Transações Correntes:

 

Após ter crescido vários meses sem parar, atingindo 4,57% do PIB, um valor acima do considerado seguro para um país como o nosso, o saldo passou a recuar. As principais mudanças vieram no encolhimento das viagens, que caíram 42%, com uma economia de US$ 770 milhões, ou 8,6 bilhões em termos anuais, e da balança comercial, com saldo de US$ 2,5 bilhões, graças ao forte recuo das importações. A melhora resulta de duas coisas que estão atuando conjuntamente:  a desvalorização cambial (alta do dólar) e a desaceleração da economia doméstica, que reduz o poder de compra dos brasileiros para que eles viagem ou demandem importações do exterior.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com