Estoques de petróleo dos EUA interrompem a maior alta em 80 anos.

Os estoques de petróleo dos EUA interromperam a sua maior sequência de crescimento em oitenta anos. Após crescer várias semanas à média de nove milhões de barris por semana, os estoques cresceram apenas 1,3 milhões de barris na última semana. Esse pode ser um evento ligado à queda drástica do números de plataformas em operação nos EUA e pode indicar um ciclo de algumas semana de preços mais fortes para o barril WTI, negociado nos EUA. Mas riscos globais para sua queda ainda continuam no horizonte. Com isso, a Petrobrás sobe mais 4%.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

Hoje a EIA, agência de petróleo dos EUA, anunciou que os estoques de petróleo cru do país cresceram apenas 1,3 milhões de barris. Durante treze semanas os estoques estavam crescendo cerca de nove milhões por semana e essa queda é substancial. Hoje os estoques dos EUA estão em 484 milhões de barris e eles cresceram cerca de cem milhões entre o inicio de fevereiro até agora, marcando um recorde histórico. Essa queda, no entanto, pode significar que houve uma redução importante na produção nacional, que vinha resistindo à queda dos preços do barril. De julho do ano passado até março desse ano, o barril WTI, negociado nos EUA, caiu cerca de 60%. Desse ponto até agora houve recuperação de 30%, mas a commoditie ainda está precisando de 95% de alta para chegar até seu recente e glorioso passado. Veja o comportamento dos estoques de petróleo dos EUA:

Dentre os fatores que frearam a queda dos preços e estimularam a sua recuperação destaco   a diminuição do ritmo de valorização do dólar frente às outras moedas e a queda de produção dentro dos próprios EUA. Lá, o principal impulso para alta de 6 milhões de barris/dia nos últimos anos veio da indústria de xisto. Como o custo de exploração do xisto deve girar ao redor dos US$ 50,00, a queda abaixo dos US$ retirou muita gente da extração. Segundo os últimos dados fornecidos pela operadora de plataformas Baker Hughes, a quantidade de plataformas operando nos EUA caiu de cerca de 1.800 em, dezembro para 1.110 ao final de março. Demorou algum tempo para que essa redução da quantidade de plataformas atingisse os números de produção e isso pode ter ocorrido em função das diferentes produtividades entre as plataformas. Mas agora, tudo indica, a redução chegou para valer. Fazendo uma conta linear, a produção precisa cair cerca de um milhão de barris, ou mais de 10%, para que essa interrupção da alta dos estoques seja permanente. Se for, a trajetória de queda do WTI pode ter sido encerrada e pode dar início a um ciclo de estabilidade entre US$ 50 e US$ 55. Veja o gráfico do WTI:

WTI (Diário)

 

Uma contribuição adicional para o aumento dos preços veio do ministro do petróleo do Irã que anunciou, ontem, que defenderá uma redução de 5% na produção dos países da OPEP. No entanto, os riscos continuam claramente apontando para a queda do petróleo. Se os custos de exploração do xisto estão, na média, aos US$ 50, quando o WTI supera essa barreira, isso pode impulsionar o aumento da produção. Além disso, e não menos importante, a demanda global tende a continuar estagnada, já que o crescimento global está empacado (Christine Lagarde ainda teme pela Nova Mediocridade no crescimento global). E ainda temos o fim do inverno jogando a demanda para baixo no hemisfério norte. E se o crescimento global anda fraco, sendo liderado pelos EUA, não é de se esperar que o dólar pare de se valorizar.

De qualquer forma, vai firmando-se um cenário para as próximas semanas, no qual os preços tendem a se manter mais altos, favorecendo a indústria petroleira. A Esso, maior petroleira global, está com alta de 1,52%; a Chevron com 1,43%; a Shell com 1,51% e a Petrobrás, com 3,84%.

A Petrobrás, além da melhora do quadro do mercado global, conta com a aproximação do balanço, que poderá ser divulgado até dia 22.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com