O mercado de trabalho continua afundando.

O mês de fevereiro teve a destruição de 2,4 mil vagas formais de trabalho. A queda representa mais um ponto na tendência que vem desde o pico de 2010 e está ininterrupta. Com o agravamento das condições da economia é de se esperar que a taxa de desemprego decole, buscando os níveis da crise de 2008. No mundo os mercados devolvem os ganhos de ontem, nas bolsas, moedas e no petróleo. A moeda brasileira está saindo perto dos R$ 3,30.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

O ministério do trabalho e do emprego divulgou ontem o CAGED e o mês de fevereiro teve, novamente, destruição de vagas formais de emprego. A deterioração do mercado de trabalho tem sido contínua desde o pico de 2010 e a tendência é de cair ainda mais ao longo do ano, refletindo a forte recessão que afeta o país. Veja o gráfico do CAGED, com os dados ajustados sazonalmente:

Todos os segmentos da economia encontram-se em desaceleração, mas alguns merecem destaque. A indústria vem perdendo vagas desde 2011 e continua nesse processo e agora a construção civil ganhou destaque. Ela está sendo castigada pela paralisia das obras públicas e das relacionadas à operação lava a jato. Também pesa a desaceleração do ritmo do setor imobiliário, vítima da queda da confiança das famílias, que têm moderado seu ímpeto de compras de residências. Esse é um processo que mal começou e deve ter impacto importante sobre o emprego e a renda das famílias. Veja a tabela por setor:

 

Com isso, as estatísticas da taxa de desemprego devem subir ao longo do ano e pode atingir os níveis da crise de 2008/2009, veja o gráfico:

As taxas de inflação divulgadas hoje pela FGV e pela Fipe continuam sinalizando a tendência que já apontamos para março: leve desaceleração dos alimentos, fim do impacto dos aumentos dos combustíveis e aceleração do impacto da energia. O IPC da Fipe, da segunda semana de março veio em 0,93%, ante a alta de 1,03% da primeira semana. O IGP-M da FGV, em seu segundo decêndio de marços (01 a 10 de março), acumulou 0,84%, ante uma variação de 0,16% do mês anterior.

Os mercados globais ainda estão em correção, após a euforia causada pela decisão do FED em manter os juros em zero por mais tempo. Janet Yellen continua insistindo que é necessário um conjunto de informações bastante sólidas sobre a recuperação do mercado de trabalho e da inflação para que a autoridade monetária comece a subir os juros em direção aos níveis normais (em torno de 3,5% a 4,5%). Além disso, mesmo depois de começar, o FED será cauteloso, subindo os juros básicos bem devagar, de sorte a não desmontar os mercados. A presidente confirmou que entende que alguns setores dos mercados de ações estão com sues preços muito esticados e que o mesmo ocorre com o mercado de dívidas privadas. Ela chamou a atenção que nesse último, os “spreads”, ou prêmios de risco, estão historicamente muito baixos, sinalizando um preocupante cenário de exagero que pode descambar em um processo de pânico mais tarde (tal como o que ocorreu com as hipotecas sub prime em 2008).

As fortes altas de bolsas, do petróleo, do euro e de outras moedas já estão em reversão. O petróleo, após bater os US$ 45 ontem, já está sendo negociado a US$ 43,3.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com