Petróleo abaixo dos US$ 40?

Os estoques de petróleo dos EUA subiram mais 9,6 milhões e barris na semana passada e atingiram 458,8 milhões de barris. Com o preços do WTI cotado a US$ 42,2 é tentadora a idéia de que o barril caia mais se a produção continuar a subir como tem subido. O fim do inverno fará com que a demanda caia e, então, a capacidade de estocagem pode colapsar. No mundo espera-se que Janet Yellen anuncie que o FED antem-se "paciente" em sua postura de elevação dos juros. Caso ocorra uma mudança em seu discurso, o banco central dos EUA poderá disparar um grande corre corre.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

A EIA (Energy Information Administration) anunciou que os estoques de petróleo dos EUA subiram mais 9,6 milhões, atingindo 458,8 milhões de barris. Esse dado empurra um pouco mais o preço do petróleo para baixo e deve manter a indústria petrolífera americana sob forte pressão. O número de poços em atividade nos EUA está em queda mas, como mostra o aumento dos estoques, a produção continua a crescer. O gráfico abaixo mostra o aumento dos estoques:

 

É o nível mais alto desde que esse dado é coletado, há mais de 80 anos. Porém, apesar de muitos analistas do mercado acreditarem que o petróleo vá cair abaixo dos US$ 40, ele se segurou depois da divulgação. A queda de hoje é de cerda de 2,8% e ele está sendo negociado a US$ 42,20. Como tenho afirmado de forma recorrente, a alta dos estoques pode fazer com que os limites de estocagem sejam atingidos em breve e isso precipitará ou a redução da produção ou a queda mais acelerada do petróleo. Há quem acredite que a redução da quantidade de poços em atividade e a saída de várias empresas, por meio de fusões e aquisições ou pelas falências, poderá fazer com que, no final do ano, o petróleo encontre uma fase de recuperação. Mas até lá, o fim do inverno e a demanda global estacionada, devem pressionar os preços para baixo. Há ainda o “risco” de que as negociações com o Irã levem a um abrandamento das sanções contra o país e, consequentemente, alguns milhões de barris sejam adicionados ao já saturado mercado global.

Junto com o petróleo, o minério de ferro está em queda forte. Hoje ele bateu os U$ 52,00, em um derretimento de mais de 5%, depois que foi divulgado o PMI (indicador de produção industrial produzido pela empresa privada Markit) e ele recuou inesperadamente. Veja o gráfico do PMI:

 

O número abaixo de 50 indica retração e a suposta recuperação chinesa só existe nas esperanças do mercado. A retração da atividade industrial deve continuar por mais tempo e o governo chinês não parece descontente com sua taxa de crescimento.

Nos mercados globais a espera pelo fim da reunião do comitê de política monetária dos EUA ocupa as atenções. A expectativa é a de que Janet Yellen mantenha a palavra “paciência” em seu comunicado, o que indicará que a autoridade monetária está, na verdade, querendo evitar ruídos nos mercados cambiais e de dívidas, sobretudo as privadas. Se o dólar subir muito, ou se as dívidas privadas ficarem mais caras, o setor corporativo americano, que lidera a recuperação da maior economia do planeta, pode sofrer muito o que coloca em risco todo o esforço feito pelo Quantitative Easing. Uma mudança de postura agora seria surpreendente, ao contrário do que foi especulado por jornalistas locais, que afirmaram que “muitos” analistas de Wall Street esperam a retirada da palavra “paciência” do comunicado. Esses supostos “muitos”, de fato, não devem existir. O mercado está em um nível de preços (bolsas, câmbio e juros) que implica na manutenção da atual postura do FED. A alteração dessa postura poderá significar o maior corre corre do mercado desde setembro do ano passado, que produziu uma queda de mais de 10% no índice S&P500.

Depois do FED ganhará importância a reunião do governo grego com a primeira ministra alemã Ângela Merkel, o francês Francois Hollande, o presidente da comissão europeia, Jean Claude Juncker e membros do FMI do BCE. Preparando o terreno para a reunião, funcionários do FMI vazaram para a imprensa “informações” de que os técnicos e políticos envolvidos na negociação estão frustrados com a teimosia do governo grego, que se recusa a assumir uma postura mais colaborativa no âmbito de um novo acordo. Isso mostra que os políticos e tecnocratas envolvidos no processo de resgate do país ainda têm esperança de que os gregos abram mão dos compromissos anti-austeridade assumidos nas eleições. É um sinal de que uma ruptura não pode ser descartada.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com