Euro chega a $ 1,06 e investidores correm para as bolsas europeias.

A Europa tem forte alta em suas bolsas e a justificativa é o dólar caro e o euro barato. Investidores podem estar fugindo do alto patamar da bolsa do EUA para comprar algo mais barato na Europa. Como se fizesse sentido ter alguma coisa em ações se as bolsas dos EUA estivessem realmente caras: quando elas caem, todas as ações caem. Tudo indica que é folho de palha. Ao divulgar seus estoques de petróleo, em 449 milhões de barris, os EUA pressionaram o óleo para baixo e ele opera em queda de 1,51%. Em  um mundo de dólar forte, os preços são para baixo.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

Após a forte de queda de ontem, os mercados ensaiam uma recuperação mundo afora. Não que os fundamentos que levaram os agentes às vendas tenham mudado substancialmente. Ao contrário, a China reportou forte queda das vendas de imóveis (-16,7% em doze meses, desaceleração na produção industrial de janeiro e fevereiro, com alta de 6,8% em doze meses e vendas mornas no varejo, de 0,93% no mês. Dados que ensejaram uma queda nas bolsas chinesas. No Reino Unido, a produção industrial veio em queda de 0,1% e a Tailândia anunciou redução de sua taxa de juros de 2,0% para 1,75%. O mundo está lento, ou melhor, continua lento e em desaceleração. As moedas continuam a se desvalorizar contra o dólar e aumentam a distância entre o nosso momento atual e o de um no qual o mundo tenha uma taxa de crescimento sustentável. Insisto: se todos desvalorizam suas moedas, ninguém desvaloriza, causando apenas deflação e queda do comércio global. Por enquanto, no entanto, esse movimento aumenta as apostas especulativas em um “tiro curto” na tese de que as ações europeias podem ser uma grande tacada, já que elas estão caindo de valor em dólares ao mesmo tempo que sua economia está sendo estimulada  pelo Quantitative Easing (estímulo monetário) do BCE. Hoje o euro cai de novo e as bolsas europeias sobem forte.

A queda das moedas frente ao dólar torna os ativos estrangeiros (ações, títulos, etc) mais baratos assim como as commodities, processo esse que, por sua vez, produção deflação (queda de preços) e coloca o Federal Reserve dos EUA em uma situação complicada: juros muito baixos por muito tempo (os juros básicos estão em zero por cento há cinco anos) estimulam o surgimento de bolhas (as ações estão em seus níveis mais altos na história), mas é impossível subi-los enquanto os preços internos estão em queda, ou em nível muito muito baixo de alta. Em termos reais a moeda dos EUA já se valorizou, contra uma cesta de moedas, cerca de 10% nos últimos meses, veja o gráfico:

 

A alta do dólar, apesar de positiva do ponto de vista fiscal e do poder de compra dos trabalhadores, acaba por enfraquecer a competitividade da indústria do país frente aos concorrentes. É uma equação de difícil manipulação, como não poderia deixar de ser!

Hoje a EIA, agência americana de petróleo, anunciou seus estoques e houve aumento de 4,5 milhões de barris. Abaixo do que vinha subindo, mas ainda é uma forte alta, já que os estoques atingiram incríveis 448,9 milhões de barris, novo recorde para oitenta anos de estatísticas a respeito. As refinarias estão cortando sua produção, fazendo os estoques de gasolina caírem, mas os destilados estão subindo. Vários analistas alertam para o fato de que a capacidade de armazenamento do país é de cerca de 460 milhões de barris, veja o gráfico:

 

Em poucas semanas poderemos atingir o limite máximo e, então, poderemos ver uma queda mais forte do petróleo, caso as empresas americanas não reduzam sua produção. Após esse dado o mercado virou e o WTI, negociado nos EUA, foi para US$ 47,68 o barril, com queda de 1,24%.

 

A Europa se mantem firme, mas é importante aguardar o final da reunião dos ministros da Zona do Euro com o ministro da Grécia. Temos tudo para imaginar que ela não chegará a acordos importantes e poderá devolver tensão aos mercados. A recuperação de hoje não deve ir  longe.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

Deixe seu comentário

Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com