Comércio sobe 2,2% em 2014 mas sinaliza ano ruim para 2015

O comércio varejista se expandiu 2,2% em 2014. No mês de dezembro houve um a queda substancial  e ela evidencia a queda da confiança gerada pela turbulência política. As vendas de automóveis caíram 9% ao longo do ano e atingiram 5,2 milhões em 2014 ante os 5,5 milhões de 2013. Apesar da alta do ano, o comportamento do comércio nos últimos meses confirma a tendência de forte declínio do PIB em 2015.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

Em meio à crise que afeta a economia Brasileira, o IBGE divulgou o resultado do comércio varejista de 2014 e ele subiu 2,2% em relação a 2014. O principal jornal econômico do país destaca que é o pior resultado em 11 anos, mas ele está longe, muito longe de ser uma desgraça. Antes de tudo, ele confirma que o comportamento do Consumo das Famílias, responsável por mais de 60% do PIB, é, junto com os gastos do governo, mais suave que os outros componentes  como Investimentos e Setor Externo. E é com base nesse tipo de informação (a de que as famílias têm um comportamento mais “suave” em suas decisões de gastos) que projeto uma queda do PIB mais forte em 2015. Veja o gráfico do comércio varejista: 

 

 

Em dezembro, após o tratamento dos dados para retirar os fatores sazonais, o comércio caiu quase 3%. As principais quedas mensais se deram no vestuário, móveis e eletrodomésticos e materiais para escritório e informática. Veja a tabela com as variações por atividades:

 

 

 

Note que o comportamento da linha verde, que é a do Consumo como um todo exceto veículos, é suave; mas a linha vermelha é muito volátil, refletindo um comportamento muito variável dos consumidores. E esse comportamento é, em grande medida, resultado do fato de que esses bens são mais caros e implicam em um orçamento de longo prazo, seja por endividar as famílias, seja por reduzir suas poupanças. Ao decidir sobre eles, as famílias estão decidindo sobre seus fluxos de rendas futuras e essa decisão depende, portanto, de seu estado de confiança em relação ao futuro. São os seus empregos, salários ou rendas, quando se trata de trabalhadores, ou de juros, aluguéis e dividendos, quando se trata de empresários. De qualquer forma é o estado de confiança que determina se um bem vai ser adquirido ou não. E dezembro foi um dos pontos mais baixos do estado de confiança da economia brasileira ao longo de 2014.

 

 

Como essa situação parece se manter desde então, a previsão de uma economia em queda livre ao longo de 2015 é mais do que razoável.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com