A Grécia insiste em combater a austeridade

Alexis Tsipras engrossa seu discurso anti-austeridade e aumenta a temperatura antes das negociações que começam essa semana. Apesar de parecer apenas um  jogo de cena, típico de negociadores às vésperas de suas reuniões, tudo indica que a vida não será fácil para os gregos, que devem mesmo sair da Zona do Euro. Hoje divulgada a inflação da primeira semana de fevereiro e, apesar da leve desaceleração, a FGV indica que os preços continuam subindo forte.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

A semana não tem um calendário de eventos econômicos carregado, mas a agenda política deve manter a volatilidade elevada. Ontem o novo primeiro ministro grego, Alexis Tsipras falou ao parlamento e reforçou que não retrocederá em se programa de campanha. Reafirmou que suas ações serão no sentido de aumentar o salário mínimo, restaurar a isenção para as faixas de renda mais baixas, suspender as privatizações de infraestrutura e pedir reparações à Alemanha pelas perdas geradas no país por ocasião da Segunda Guerra Mundial. Tsipras incendiou seu discurso e isso decorre, em grande medida, das insistentes negativas que seu governo recebeu nas primeiras sondagens feitas junto a alguns países da União Europeia acerca da renegociação da dívida do país (que atingiu US$ 360 bilhões ou 180% do PIB). Ele insistiu que honrará seus compromissos de campanha e que isso implica em acabar com os planos de austeridade impostos pela União Europeia. A reação do ministro austríaco foi clara: “sou contra dai dinheiro aos gregos; quem pagaria por isso?”. O chefe dos ministros das finanças da Zona do Euro falou que não haverá nenhum acordo de curto prazo enquanto  país não garantir os acordos feitos junto à Troika e que remontam a 240 bilhões de euros. Dia 11, quarta-feira, o comitê dos ministros da Zona do Euro se reúne e as chances de Varoufakis, o ministro grego, ouvir todas as negativas em relação aos seus pleitos são grandes. Ao menos por enquanto, a temperatura dos discursos aponta no sentido da saída da Grécia da Zona do Euro. Novamente: apesar da Grécia ser um “grão de areia” para a economia da Zona do Euro, ela e=representa um paradigma para países maiores que estão sendo detonados pelo programa de austeridade. Não me refiro apenas à Espanha, que deve levar o partido de esquerda Podemos ao poder no final do ano, mas aos outros países que estão se movimentando (tanto pela esquerda como pela direita). Essa possibilidade aumenta as dúvidas quanto ao futuro econômico da região e afeta o euro, veja o gráfico:

Euro (gráfico diário)

 

A moeda tem uma desvalorização contínua frente ao dólar e, por esse caminho, acaba transmitindo a crise para outras regiões do planeta. Sobre a crise grega indico a leitura do último “post” de J.Stiglitz no Project Syndicate: http://www.project-syndicate.org/commentary/greece-eurozone-austerity-reform-by-joseph-e--stiglitz-2015-02 .

Aqui no Brasil a FGV divulgou a primeira semana do IPC-S e, apesar de dar uma pequena desacelerada em relação à semana anterior, continua em patamares elevados. Os fatores continuam os mesmo: combustíveis, passagens, alimentos e energia elétrica. Veja o gráfico e a tabela:

 

 

 

A pesar da desaceleração, que deve continuar, a inflação continua com uma perspectiva ruim. Hoje o FOCUS do BC, em pesquisa realizada junto a instituições dos mercados e consultorias, mostrou que as expectativas para o crescimento do PIB do ano estão em zero e para o IPCA em 7,5%. Mesmo com a forte desaceleração da economia, a inflação deve castigar a economia por conta da seca e da desvalorização do dólar.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com