IPCA de 1,24% com a seca. PIB vai cair mais de 2% em 2015.

O IPCA de janeiro em 1,24% com 85% dessa alta centrada em energia, alimentos e transporte. A potencial de racionamento de energia e de água está claramente aumentando com os reservatórios em posição muito frágil em relação ao ano passado. Esse cenário reforça uma inflação acima de 8,5% e uma queda do PIB de mais de 2%. Pioram também as perspectivas da relação dívida/pib que encerrará o ano pior do que estava em 2014, apesar o aperto fiscal levado a cabo por Levy.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

O IBGE divulgou o IPCA de janeiro e ele veio em 1,24%. Uma vez mais estamos sendo vitimados pelos efeitos devastadores de um enorme choque de oferta: a seca. Colaborando secundariamente vem o câmbio, mas de forma ainda muito tímida. É simples ver o que impulsionou a queda de nossa renda: alimentos, energia elétrica, água, gasolina e transporte público foram responsáveis por 85% dessa inflação. Veja o gráfico e a tabela do IPCA:

 

 

 

A inflação acumulada em doze meses bateu 7,14% e não deve dar refresco por algum tempo. Itens como vestuário, artigos de residência e educação estão parados, mas devem voltar ao subir ao longo do ano. Os itens ligados à falta de água e ao dólar não devem cair porque estamos na fase de maior oferta de chuvas; quando a estação seca entrar o quadro pode piorar ainda mais. O quadro abaixo mostra a situação das represas, por região em 2014 e em 2015:

 

Os dados do ONS mostram que a situação é para lá de alarmante. O ano passado já foi ruim para o setor de geração hidroelétrica, obrigando o uso intensivo, ao longo de todo o ano, das usinas termoelétricas, mais onerosas para o sistema e para os consumidores. Agora temos mais de ¼ do período chuvoso encerrado e estamos com menos da metade dos estoques de água nas três regiões, exceto a Sul. Se as chuvas estão menores e se temos uma tendência clara de desvalorização do real, não há porque pensar em inflação menor.

Aumentam os problemas a possibilidade clara de racionamento da energia e da água, tornando o cenário mais severo para PIB e preços o mais provável: queda do PIB acima de 2% e alta dos preços acima de 8,5%;

Com um PIB em situação tão complexa, a adoção das medidas de austeridade por parte do governo podem fazer com que a relação dívida/PIB piore em 2015: o DENOMINADOR (PIB) deve cair, ao passo que o NUMERADOR deve subir (alta dos juros e queda da arrecadação).

Dois eventos devem fazer o mercado ficar ainda mais volátil: a divulgação do presidente da Petrobrás e a divulgação das vagas criadas nos EUA em janeiro. Lá o otimismo tem maior chance de vingar do que aqui.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com