A diretoria da Petrobrás já está fora.

A Petrobrás anunciou a demissão de toda a sua diretoria e a definição de uma nova em sua reunião do Conselho de Administração de sexta-feira. Os desafios dos novos dirigentes, quando encontrados, serão enormes. Na Europa Angela Merkel, Jens Weidemann e Mario Draghi trabalham pela saída da Grécia da Zona do Euro caso ela insista em renegociar os termos fechados com a Troika três anos atrás.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

Hoje e Petrobrás soltou nota em seu site oficializando o que se sabia desde ontem: “A Petrobras informa que seu Conselho de Administração se reunirá na próxima sexta-feira, dia 06.02.2015, para eleger nova Diretoria face à renúncia da Presidente e de cinco Diretores.”  Por estar identificada com incompetência e fraude, a diretoria atual venha  sendo “frita” aos poucos pelo mercado e pelos “aliados”. A péssima comunicação, que abriu espaço para a imprensa identificar um potencial de fraudes no valor de R$ 88 bilhões na divulgação do balanço não auditado, deve ter pesado para que a presidente optasse pela saída de todos. O mercado antecipou esse evento ontem, valorizando a ação em mais de 15%, apostando em um quadro melhor a partir da mudança dos diretores. Os desafios atuais passam pela revisão dos investimentos, procurando defender o caixa da empresa, pela melhoria da comunicação e pela tentativa de equacionamento dos balanços da empresa, do terceiro e quarto trimestres. As expectativas, de certo, são a de que o cenário tende a melhorar, mas os desafios são gigantescos, posto que boa parte das dificuldades atuais é de difícil gerenciamento:

  • O cenário para o mercado de petróleo continua incerto, com forte viés de baixa, com o crescimento mundial fraco e com a determinação da OPEP em manter seus níveis de produção.
  • A escolha dos investimentos a serem tocados ou serem descontinuados vai implicar em questões que estão além dos aspectos operacionais e trarão ruído para a diretoria.
  • A diretoria terá como suporte um governo cada vez mais fraco e acuado pelos eventos associados à operação lava a jato.
  • A publicação dos balanços depende da provisão para as fraudes ocorridas entre 2004 e 2012 e não há uma notícia crível a esse respeito. Superestimar os valores trará custos políticos para o governo e seus aliados e, ao contrário subestima-los pode levar à perda de credibilidade. O fato é que tais valores são de difícil apuração (como o são em qualquer negócio, seja público, seja privado) e dependem fundamentalmente das apurações que estão sendo realizadas pela Polícia Federal. Esse é um processo que pode levar anos e terminar com resultados apenas parciais.

Por esses fatores é necessário ver o futuro próximo para Petrobrás como norteado, ainda, pela volatilidade. Não há garantias de que a em presa encontre uma trajetória suave em uma ambiente ainda tão turbulento.

Nos EUA foram divulgadas as vagas criadas no mês de janeiro, a partir das folhas de pagamento processadas pela empresa ADP Systems. Esse é um dado que antecipa de forma razoável, o dado oficial do Dpto do Trabalho, que será divulgado na sexta feira. Eram esperados 200 mil empregos criados e o número foi 213 mil. Veja o gráfico:

 

Os mercados esfriaram e agora voltam-se, novamente, para o petróleo e está em uma queda superior a 4% para o WTI, saindo a US$ 50,94 e de 2,73% para o Brent, que é negociado a US$ 56,33. A alta de ontem não foi definitiva e poucos acreditam em uma recuperação sólida do ativo por mais tempo. Veja o gráfico com o comportamento do petróleo WTI futuro, para entrega em março:

WTI para março (diário)

 

Após as fortes altas nos últimos quatro pregões (em azul), o dia mostra uma queda razoável.

Na Europa continua a disputa diplomática entre os setores mais conservadores da Zona do Euro em torno do Quantitative Easing e do processo de reavaliação da dívida externa grega. O presidente do Bundesbank, banco central alemão, Jens Weidemann lamentou o fato de não ter conseguido bloquear o plano de expansão do Banco Central Europeu, porque foi minoria no conselho do banco. A argumentação do alemão parece desprezar por completo os receios da imensa maioria dos macroeconomistas contemporâneos, com a exceção do Brasil, é claro. Weidemann acredita sinceramente que a queda da inflação é um fenômeno temporário e que ajuda no aumento da renda das famílias. Ele afirma que o Quantitative Easing traz muitos riscos e poucas vantagens. Weidemann foi parte integrante da equipe que elaborou o desastre da Zona do Euro e os incríveis planos de austeridade da região. É óbvio que ele tem dificuldades em assumir qualquer responsabilidade pelo desespero de milhões de europeus e pela séria situação política que, à parte a própria Alemanha, sacode boa parte dos países membros da União Europeia. A estratégia é a mesma de Ângela Merkel, líder do único país que se beneficia com a crise atual e que traçou uma estratégia fria e calculista para enfrentar as demandas do governo grego: deixar o tempo passar até que o dinheiro acabe nos caixas  do pequeno país. Aí, em maio, ela poderá sentar com enorme posição de força e estrangular as demandas dos “perdulários” gregos. Esse sentimento é compartilhado por Mario Draghi, que acredita que a melhor solução é a expulsão da Grécia do bloco. À Bloomberg, hoje, ela opina: “A ofensiva diplomática grega está falhando”.  O Primeiro Ministro Alexis Tsipras e o Ministro das Finanças Yanis Varoufakis estão viajando a vários países da Zona do Euro para discutir novos termos de acordo da dívida externa. Mas Merkel mantem-se impassível: tal como uma nova versão de Margareth Thatcher, pretende esmagar qualquer tentativa de “rebelião” contra seus planos de governo na Zona do Euro. A tranquilidade atual é meramente passageira: a intransigência alemã irá bater de frente com a estabilidade política da região.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

Deixe seu comentário

Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com