No primeiro mês a inflação já consume 40% da meta do BC.

Enquanto o Brasil convive com uma inflação que poderá bater mais de 8% nesse ano, o resto do mundo aumenta as chances de uma deflação. O que há de comum, no entato, é que o Brasil também está vendo sua encomia derreter, como estão as enconomias da Zona do Euro. O enorme choque causado pela seca ameaça pela inflação e pela queda do PIB. Já nos EUA, as taxas de juros para os títulos de dez anos bateram 1,65%, mostrando que os agentes esperam preços e juros muito baixos por muito tempo.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

O primeiro índice de inflação de janeiro a ser anunciado foi o IPC-S da FGV e ele veio em 1,73% depois de ter atingido 0,75% em dezembro. Os principais fatores para essa alta meteórica da inflação estão relacionados às altas dos combustíveis,  dos transportes urbanos, da energia elétrica e da alimentação. A falta de chuvas continua pressionando os preços básicos da economia e, por enquanto, não há razão para acreditar que o quadro melhore. Veja a tabela e  o gráfico do IPC-S:

 

 

 

Essa endência de alta nos preços tende a se manter ao longo do ano e pode se acelerar com um quadro de racionamento de água e energia. O recrudescimento do quadro inflacionário brasileiro no momento em que a maior parte do planeta vive as ameaças de deflações, leva a imensa maioria dos analistas a considerar o caso brasileiro como resultado do descontrole do gerenciamento das políticas públicas, seja a política monetária, seja a politica fiscal, seja a mudança do marco regulatório do setor de energia. No entanto, quando se leva em conta que que alimentos, combustíveis e energia elétrica são a maior fonte de pressão desde o ano passado e se observamos que o dólar vem se desvalorizando fortemente, não chega a ser uma surpresa a aceleração da inflação. A seca a que o país assiste é a maior responsável, seguida pelo câmbio. A situação do armazenamento no sistema de geração de energia do ONS indica: SE/CO 16,82%, Sul 60,95%; Nordeste 16,63% e Norte 35,22. Já os mananciais que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo caíram para 15,3%. A falta de disposição das esferas políticas (Presidente da República e governadores) em anunciar agora qualquer medida de racionamento só vai aumentando (de forma exponencial segundo especialistas) o potencial de desastre para os próximos meses.

Nos EUA, o anúncio do PMI e do ISM (indicadores de produção industrial), dos gastos dos consumidores e crescimento da renda pessoal, mostrou um quadro de “esfriamento    “ da economia dos EUA que reverteu a tendência de alta do pregão de hoje. A pesquisa mensal do Dpto do Trabalho mostrou que o índice de preços do consumo pessoal subiu 0,7% nos últimos doze meses e 1,3% se forem retirados os preços de alimentos e energia. Os preços estão muito longe da meta do FED de 2%. Aumenta a percepção de que a economia dos EUA pode precisar ficar mais tempo na UTI dos estímulos monetários do Quantitative Easing (juros zero e liquidez de US$ 4,5 trilhões). Os juros de dez anos despencaram mais uma vez e atingiram 1,68% ao ano. Veja o gráfico das taxas dos títulos de dez anos:

Título do Tesouro dos EUA de dez anos (mensal)

 

 

A possibilidade da desaceleração global afetar os esforços dos EUA em manterem sua economia em crescimento, leva os juros a ficarem em um nível que prevê preços e juros nominais muito baixos por muito tempo.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com